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04/12/2013

As maravilhas do Império Romano - Parte 2

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  


Estrada de Pompeia, cidade romana destruída pelo vulcão Vesúvio, após recuperação das escavações.

Os romanos notabilizaram-se, acima de tudo, como grandes engenheiros preocupados com as condições de vida de seu povo, construindo sofisticadas infraestruturas como canalizações, aquedutos e, ainda, estradas. As estradas são o tema desta resenha.

Estas obras estenderam-se por todo o Império, e grande parte do seu sucesso e divulgação deveu-se à extensa rede viária. 

Apesar de não oferecer, evidentemente, o conforto do asfalto dos dias de hoje, pois as rochas de basalto não proporcionavam grande continuidade e suavidade ao terreno, a verdade é que essas rochas encontram-se ainda hoje bem fixadas nos percursos, dois mil anos depois.

Isto se deve, provavelmente, à técnica de preparação do terreno, em que eram colocadas várias camadas de materiais para assegurar a sua estabilidade e, só no final, o revestimento, com as rochas.


Esquema de construção da estrada romana


A nomenclatura das estradas explica-se de três formas distintas:

a) As mais importantes herdavam os nomes dos cônsules responsáveis pela sua implementação, as designadas estradas consulares;

b) As estradas locais herdavam os nomes da localidade a que se dirigiam;

c) Por fim, as estradas que tinham fins particulares, eram batizadas de acordo com a sua utilização.

Mais do que apenas mercadorias e exércitos passaram pelas estradas romanas. O epigrafista Romolo A. Staccioli diz que pelas estradas “passaram ideias, influências artísticas e filosóficas, e doutrinas religiosas”, incluindo as do Cristianismo.

Nos tempos antigos, as estradas romanas eram consideradas monumentos. No decorrer de alguns séculos, os romanos construíram uma eficiente rede de estradas que se estendia, pasmem, por mais de 80 mil quilômetros, numa área hoje ocupada por mais de trinta países.

 
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02/12/2013

As maravilhas do Império Romano - Parte 1

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  


Caros amigos:

Pelo meu blog, dá para concluir que adoro história, evidentemente. Literatura, história e cinema são algumas das minhas grandes paixões.

Começo hoje a apresentar um outro pedaço da história, agora universal, o Império Romano. Deixo um pouco as passagens da história do Brasil e vamos agora para Roma! E tem muita coisa interessante para conhecer... Em cada estudo sobre o Império Romano, você se surpreende cada vez mais com a capacidade deles em vários campos do conhecimento. Vamos nos concentrar em resenhas principalmente sobre a capacidade de construções magníficas, inimagináveis para época. Roma, em sua hegemonia, era muito mais avançada que outros povos. Suas construções requeriam verdadeiros gênios da arquitetura e, o mais assustador, com uma concepção de engenharia impressionante.

Para começar, citamos a ponte construída por Júlio César. É incitante como ele conseguiu construir esta ponte, e isto demonstrou sua capacidade de liderança, de organização e de ousadia. 

Estamos falando sobre o ano de cerca de 55.a.c. Seguindo pela Gália, uma província romana (que hoje engloba a França, Bélgica e Suíça), ele queria ir para Germânia, para mostrar seu poder de fogo. Seu desafio velado: queria ser tão grande como Alexandre, o Grande, e o rio era a proteção germânica e a grande impossibilidade de avanço do Império Romano. Mas não para o ambicioso e audacioso Cesar.

 


Mapa do Império Romano e localização dos territórios de Gália e Germânia.


Agora, imagine as condições para época: profundidade, rio caudaloso, movimentos da maré... Como fazer uma fundação em um rio?

Pois eles bateram toras no fundo do rio, inclinadas e todas unidas umas às outras, literalmente amarradas em distribuição de carga, como se fossem pilares de concreto da era moderna, para aguentar o peso da travessia de 40.000 pessoas. Incrível. Há dois mil anos atrás...

Ele montou a ponte para enfrentar legiões germânicas que tinha um contingente de cerca de dez vezes maior (400.000 mil). Cesar invadiu o inimigo, que correram sem fazer qualquer resistência, e ficou livre para inspecionar o território ao Norte do Reno.

A ponte, que tinha 304 metros de comprimento e era sustentada por toras que tinham até 9 metros de extensão, pois essa era a maior profundidade do Rio Reno, foi feita em apenas 10 dias. Repito: 10 dias! Mesmo com as técnicas mais modernas, nem hoje seríamos capazes de fazer isto em um tempo tão reduzido. O guerreiro tinha uma legião de fiéis para trabalhar dia e noite.

A ponte teve resistência para a passagem de oito legiões que Júlio César levou para explorar a Gália. E uma outra curiosidade: ao voltar da invasão, ele parou na margem do Rio e desmontou toda a ponte, para que ninguém atacasse Roma, deixando a seguinte mensagem aos povos da época: "O império Romano pode ir a qualquer lugar". 

Encontrei um breve documentário da History Channel sobre esta construção. As imagens são muito interessantes. Não deixem de assistir! Este evento consolidou o reinado de Cesar na história romana. Simplesmente incrível.

 
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27/11/2013

A visita de D. Pedro II a Pernambuco

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  


Na célebre visita do Imperador D.Pedro II ao Recife no fim do ano de 1859, às vésperas do Natal daquele ano, acontecia um grande e pomposo baile em sua homenagem, oferecido pela Associação Comercial de Pernambuco. Assim, Dom Pedro II e a família imperial em visita à província de Pernambuco receberam várias homenagens, onde mais de dois mil convidados da elite do Recife esteve presente

Esse baile ocorreu no Hospital D. Pedro II. O Hospital trata-se da primeira construção no Recife destinada especificamente à área de saúde. A construção foi feita no estilo pavilhonar, adotado durante muito tempo em vários hospitais da Europa e das Américas. Esse estilo serviu de modelo às novas instituições construídas a seguir no estado e no país. O projeto da edificação nasceu das mãos de um engenheiro pernambucano, José Mamede Alves Ferreira (1820-1865), autor de outros importantes prédios no Recife, tais como o Ginásio Pernambucano, a Casa de Detenção e o Cemitério de Santo Amaro. Mamede estudou em Lisboa e em Paris e foi na Europa que tomou contato com as mudanças nas concepções prediais, especialmente no que diz respeito à arquitetura hospitalar.


Hospital Pedro II, 1910. 



Perspectiva do Hospital Pedro II em sua recente reforma, que agora abriga o hospital-escola da Faculdade Pernambucana de Saúde - IMIP.

O historiador e geógrafo Manuel Correia de Andrade em artigo no Jornal do Commercio, de 31/03/96, sob o título “Engenho, casas-grandes e capelas”, informa que em sua visita a Pernambuco, D. Pedro II, procurando conhecer a área açucareira do Nordeste, hospedou-se num engenho, que pertenceu no passado a um rico proprietário de terras e produtor de açúcar da família Souza Leão. E acrescenta: o seu belo sobrado, que pode ser visto em sua grandiosidade por quem passa a caminho de Vitória de Santo Antão, foi preparado para receber tão augusta visita. Os descendentes do proprietário mantiveram e conservam não só o sobrado como a capela, situado sobre uma colina ao lado, e a “moita” do engenho, na várzea do rio.


Casarão do Engenho Moreno, onde D. Pedro II se hospedou em sua visita à Pernambuco.



Capela do Engenho Moreno, ainda hoje preservada, guarda a lembrança da visita do Imperador D. Pedro II.


O Diário de Pernambuco, de 21/11/2001, traz na coluna “Há 75 anos” a seguinte nota:

“Domingo, 21 de novembro de 1926. “Pernambuco é um céu aberto”- A 22 de novembro de 1859, faz amanhã 67 anos, o Recife revestiu-se de galas que nunca mais usou, para receber a visita dos imperadores Dom Pedro II e D. Tereza Cristina. D. Pedro ao pisar o nosso solo deixou escapar a frase: “Pernambuco é um céu aberto!”. Trinta anos depois, passariam novamente na altura de Pernambuco, a caminho do exílio".

 
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13/11/2013

O último baile da monarquia brasileira: Baile da Ilha Fiscal

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  




"Baile da Ilha Fiscal", óleo de Francisco Figueiredo


Embora D.Pedro II nunca tenha sido um grande apreciador de festas, nunca se viu no Brasil uma festa com tanto luxo. Uma fartura total de comida. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o Baile da Ilha Fiscal, promovido pelo Imperador, no sábado, dia 9 de novembro de 1889. Aquela seria a última festa do Império, já que seis dias depois, o Imperador seria deposto.


O evento, que reuniu mais de três convidados, e oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane -ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas, comemorava, na verdade, as bodas de prata da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. Além disso, a intenção do Imperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade. A monarquia caiu logo em seguida.

 

Curiosidades sobre a festa:

A chegada de D.Pedro II:

Quando entrava pelo tapete vermelho, o Imperador tropeçou. Amparado por dois jornalistas, não chegou a cair. Espirituoso, teria dito: “A monarquia tropeçou, mas não caiu”.

 

A grande surpresa do Buffet:

O cardápio incluía peças inteiras de caça e pesca, além de uma infinidade de aves exóticas, inhambus, faisões e macucos. Cinco mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio atrás do palácio para servir o jantar. O ponto alto da ceia foram os doces – entre eles sorvete, uma novidade para a época. Estima-se que foram servidos cerca de 800 kg de camarão, 300 frangos, 500 perus, 64  faisões, 1.200 latas de aspargos, 20.000 sanduíches, 14.000 sorvetes, 2.900 pratos de doces, 10.000 litros de cerveja e 304 caixas de vinhos e champagne.

 

Festa sem banheiros

Como o projeto do palacete da Ilha Fiscal era de inspiração francesa, o local não contava com banheiros. Os convidados tinham apenas poucos baldes de prata com areia dentro para seu uso. Quando a cerveja começou a fazer efeito, os homens não se apertaram e correram para a beira do mar mesmo. Já as dondocas, tiveram de se ajeitar nos cantos dos salões com baldes extras trazidos às pressas do continente.

 

Iluminação da festa:

A Ilha Fiscal contava com um gerador de energia, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado chileno Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar “mais iluminado do mundo”, como escreveram os jornais da época.


Fofocas depois da festa:

Conta-se que às 5 horas da manhã, após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram alguns artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas, raminhos de corpete (usados para esconder o decote das mulheres), coletes de senhora e uma grande quantidade de ligas. O fato pode, entretanto, ser fictício, uma vez que foi relatado na coluna humorística Foguetes, do periódico carioca ¨O Paiz¨, no dia 12 de novembro.


O nome “ilha Fiscal”.

A posição daquela ilha era bastante cômoda para os inspetores da Alfândega, devido à proximidade dos pontos de fundeio, sendo que o translado de mercadorias poderia ser executado em embarcações miúdas, sem grandes dificuldades.

A decisão da construção, assim como a do seu estilo arquitetônico, foi do Imperador D. Pedro II, tendo em conta não conflitar com a paisagem da Serra do Mar. À época, o Imperador teria afirmado: "A ilha é um delicado estojo, digno de uma brilhante joia".


Pés de valsa:

A Princesa Isabel e o Conde d'Eu que eram dois verdadeiros pés-de-valsa divertiram-se a noite inteira. D.Pedro II dançou uma única vez, ficou praticamente a noite toda sentado e ainda saiu cedo.


Cartão de Ingresso para entrada no Baile da Ilha Fiscal, veio anexo ao convite.



Convite para o Baile da Ilha Fiscal



Palacete da Ilha Fiscal. Ao fundo, a Ponte Rio-Niterói

 

 
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