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03/06/2014

As curiosidades do início do banho de mar no Brasil

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  

No início do século XIX, a praia sempre foi considerada um lugar muito perigoso e o hábito de jogar impurezas no mar sempre inviabilizavam uma noção do lazer nos banhos de mar. Ademais, o mar sempre suscitava temeridades nas pessoas. 

Para muitos, o mar era lembrado sempre como um enorme martírio. Se avaliado de fato as condições de viagens marítimas, esse medo de certa forma fazia algum sentido para aquela época: medo de tempestades, mudanças climáticas durante a viagem, alimentação reduzida, água salobra, sem condições de higiene e sem privacidade. A vinda ao Brasil pelo mar foi muito dura para a família real portuguesa. 

Em Portugal, D. Maria e o rei tomavam banho nas caldas, águas sulfurosas bem mais quentes, que eram usadas para aliviar problemas de saúde e necessidades relativas a doenças. Então, o uso do mar no Brasil surgiu como forma de tratamento médico, assim como faziam na Europa. Quem ia a praia normalmente estava doente. Mas a ideia de ir ao mar e ficar na praia como lazer não se difundiu rapidamente, notadamente no Brasil. 

A ideia de ir ao mar por lazer veio com uma elite burguesa, isto já na segunda metade do século XIX, quando, principalmente na Europa, as pessoas que tinham casa numa determinada cidade passaram a comprar uma segunda propriedade junto ao mar para ter mais conforto no verão. 

Somente no século XX o banho de água salgada foi incorporado como prática e espaço de convivência ou hábito de divertimento. O horário de maior movimento para banhos de mar era antes mesmo de amanhecer do dia, pois às sete horas, com o sol já alto, as pessoas de respeito não se atreviam a ficar expostas na areia.



Banhistas em 1915 e a roupa de banho com touca, roupão e toalha felpuda



Família de banhistas em Santos, na década de 1915.


Outra curiosidade é que em Copacabana, no Rio de Janeiro, o banho de mar dava direito para algumas famílias a um copo de leite ao pé da vaca, na própria praia, para esquentar quem saísse da água.

Agora veja a prescrição médica de um médico consagrado da época, Plínio Olinto, em 1915. Vejam as pérolas dos conselhos e das recomendações:

 

Banho de Mar:

Somente sob prescrição médica.

Os banhos de mar são indicados com vantagens desde que sejam usados como cumpre. A primeira questão a resolver é a escolha da praia. Aqui no Rio, as do Flamengo e Santa Luzia são bastante freqüentadas, havendo também quem tome banhos na praia do Caju.

Não resta a menor dúvida que uma das principais vantagens dos banhos de mar está no movimento das ondas, sendo que a outra fica na propriedade da composição do ar ambiente. Os anêmicos, os escrofulosos, os convalescentes em geral melhoram muito com os banhos do mar.

Os tuberculosos, os cardíacos, os gotosos não devem tomar. Nos indivíduos nervosos eles provocam excitabilidade e insônia.

Em nossa clínica temos observado um fenômeno curioso. Nas senhoras com tendência ao nervosismo, o uso de banhos de mar determina uma irritabilidade crescente que vai até o ataque histérico, sendo de notar que a simples moradia à beira mar não as prejudica (...) os banhos de mar só devem ser usados sob prescrição médica. Ao clínico compete pormenorizar as suas condições, não esquecendo o tempo de duração, segundo o estado e as necessidades do doente.

Os banhos de mar fazem engordar e até emagrecer, conforme a maneira de tomá-los. Para colher todos os proveitos do banho de mar é indispensável seguir o regime:

 

1- Morar a beira bar;

2-Despertar cedo, vestir-se e seguir a praia.

A roupa deve ser de flanela ou bata grossa de cor escura, sem forros e roupa branca por baixo.

Deve constar apenas de calça e camisa para homens e calça e blusa para mulheres. O emprego de touca de pano impermeável para estas é necessário. Os sapatos e as calças devem ficar na areia.

3- Ao chegar á praia, entre-se logo no mar, procurando molhar a cabeça ou apenas a nuca com as mãos logo que água chegue pela cintura.

4- Abaixar e levantar o corpo, recebendo as ondas de flanco. 

5- Procurar respirar forte;

6 – Nadar ou boiar um pouco para repousar;

7- Receber novamente as ondas abaixando e levantando o corpo.

8- Não há a mínima necessidade de mergulhos, nem pulos, nem gritos, nem prolongados esforços de natação;

9 – Sair da água apressado procurando logo a capa.

10 – Embrulhado na capa passear do longo da praia afim de provocar reação.

11- Em casa, pode-se tomar banho frio.

12 – a duração do banho de mar de variar entre 3 e 15 minutos, segundo a constituição do doente.   

Os que pretendem emagrecer devem demorar mais tempo.

 
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02/06/2014

A viagem de Dom Pedro II ao exílio: melancolia e saudade

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  

D.Pedro II destronado. Numa madrugada chuvosa a família imperial brasileira embarca em um navio rumo ao exílio. É a despedida melancólica da monarquia brasileira. Quem conta esta viagem com um relato tingido de tristeza é uma protagonista da história e integrante desta mesma viagem, Maria Amanda Paranaguá Dória, a Baronesa de Loreto.

Seu diário é que narra com riqueza de detalhes a jornada desta viagem, falando do grupo que tinha o já ex-imperador Pedro II. Outros diários conhecidos versaram sobre a viagem, inclusive um do próprio Dom Pedro. Mas das impressões de Maria Amanda, dama de companhia da imperatriz Teresa Cristina (Amandinha, no círculo imperial), resulta uma visão particularmente tocante. O diário tem vários relatos. Conta, por exemplo, o momento carregado de dor em que Dom Pedro chora com muita dor a morte da Imperatriz Teresa Cristina, três semanas após o desembarque em Portugal.

O Barão e a Baronesa de Loreto acompanharam o imperador no exílio por vontade própria, em demonstração de fidelidade. Juntaram-se à comitiva de duas dezenas de integrantes que, dois dias depois de proclamada a República, se dirigiu ao cais em tom de marcha fúnebre, embalada pelo silêncio do Rio de Janeiro que dormia.

 

Com uma escrita simples, ela destaca a nostalgia e a resignação dos passageiros, sobretudo de Dom Pedro. Quase todas as menções a ele são acompanhadas da palavra “saudade”. Não se discutiu mais política a bordo, só literatura. Ali, Dom Pedro manteve o hábito das rodas de leitura noturnas, às quais ele próprio batizou de “conversações saudosas”.



Foto da família imperial em Petrópolis, em 1889. Num trecho do Diário da Baronesa de Loreto: "só temos nos pensamentos saudades e saudades".



A vida relativamente simples que a família imperial levava no Rio de Janeiro se reproduziu a bordo, segundo relatos. Nenhuma festa, banquete ou roupa de gala. No dia do aniversário do imperador, 2 de dezembro daquele ano, abriu-se uma garrafa de champanhe, de que todos compartilharam. Ele ergueu a taça e disse: “Brindo à prosperidade do Brasil”. A imperatriz sequer participou; sentia-se mal.


Amandinha ainda relata que, numa escala na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, ele fez questão de dar dinheiro a um padre, para que distribuísse aos pobres, mesmo estando literalmente pobre e sem dinheiro. A Baronesa de Loreto também se estende sobre um dos maiores motivos de preocupação a bordo do Alagoas: o comportamento do neto mais velho do imperador, Pedro Augusto. Preparado desde criança para assumir o trono, Pedro Augusto, que tinha tendências paranoicas, sofreu surtos psicóticos.




Embarcação Alagoas, que levou a monarquia brasileira e seus fiéis ao exílio.


A cena mais pungente descrita no diário, no entanto, é justamente a morte da imperatriz em um hotel simples da cidade do Porto, para onde havia se retirado. Quase meio século em que esteve casado com Teresa Cristina, Dom Pedro II apegara-se a ela e tratava-a com extrema ternura.

 

D. Pedro II acabou morrendo dois anos depois, aos 66 anos, de pneumonia, no modesto hotel de Paris onde viveu o fim de seus dias. A Baronesa de Loreto voltou com o marido ao Rio de Janeiro, onde morreu em 1931, aos 82 anos, sem jamais publicar seu relato da viagem que mudou tantas vidas. O diário da Baronesa de Loreto estava esquecido nos arquivos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) até ser recuperado e lançado como livro em 2013.

 
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24/03/2014

As maravilhas do Império Romano - Parte 4

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  


Caminho da Cloaca Máxima, canal passando pelo Fórum Romano


Cloaca Máxima (em latim Cloaca Maxima, italiano Cloaca Massima) é uma das mais antigas redes de esgotos do mundo. Foi construída na antiga Roma nos finais do século VI a.C. pelos últimos reis de Roma, que usufruíram da experiência desenvolvida pela engenharia etrusca para drenar as águas residuais e o lixo de uma das populosas cidades do mundo, Roma, para o rio Tibre, que atravessa a cidade, em direção ao Mar Tirreno, a alguns quilômetros a Oeste.

Há, entretanto, descrições de outros autores a respeito da cloaca ser um “esgoto a céu aberto”, que recolhia os resíduos das colinas e drenava também a planície do fórum romano. Este canal escavado abaixo do nível do solo teria sido progressivamente coberto, devido a demanda e avanço da cidade.

A Cloaca Máxima foi mantida em bom estado durante toda a idade imperial. Há notícia, por exemplo, de uma inspeção e trabalhos de manutenção sob a alçada de Marco Vipsânio Agripa, a 33 a.C.. Os traços arqueológicos  revelam intervenções em épocas distintas, com diversos materiais e técnicas de construção. O seu funcionamento prosseguiu durante bastante tempo após a queda do Império Romano. Mais uma das maravilhas da arquitetura romana.

 

 

Detalhamento da arquitetura e caminho da Cloaca Máxima até o Rio Tíber

 
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05/12/2013

As maravilhas do Império Romano - Parte 3

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  

O Aqueduto dos Pegões, foi construído com a finalidade de abastecer de água o Convento de Cristo em Tomar (Portugal), e tem cerca 6 km de extensão.

Com cimento vulcânico, tijolos e pedras, os romanos mostraram ao mundo como distribuir, ao longo de um imenso território, um dos bens mais preciosos que existem: a água. Os aquedutos que construíram por seu vasto Império, ajudaram a forjar o poder de sua civilização e mudaram a história da engenharia e da arquitetura ocidentais.

Além de fornecer água potável para a população de suas distantes colônias, essas estruturas representavam – e ainda representam – incrível domínio da tecnologia da construção atribuído aos engenheiros da Roma Antiga. Vários aquedutos com esta concepção continuam de pé. 

Na antiguidade, quase todas as civilizações construíram aquedutos, mas foi com a civilização romana que os aquedutos tiveram um desenvolvimento extraordinário. Os antigos romanos construíram numerosos aquedutos para fornecer água para as cidades romanas e as indústrias existentes. Todo mundo tinha água. Por isto, dizia-se que os romanos eram limpos.

Estas construções estavam entre as maiores obras humanas do mundo antigo e definiram um padrão nunca igualado na engenharia, até quase 1.000 anos depois da queda do Império Romano.

Roma chegou a ter 11 aquedutos que alimentavam água para todas as pessoas, mesmo o cidadão comum tinha acesso água em sua casa. Não era somente a elite que tinha essa possibilidade. A soma das extensões dos aquedutos em Roma chegou a ser de aproximadamente incríveis 500 km. Destes, 47 km de elevados, e o resto tudo subterrâneo, com água de boa qualidade, livre de doenças e movidas por gravidade de forma muito eficiente. A vazão de água de Roma deve ter ultrapassado cerca de 1,2 milhões de metros cúbicos de água por dia.

Os aquedutos romanos eram construções extremamente sofisticadas. Construídos para operarem dentro de parâmetros muito precisos de tolerância. Uma das grandes maravilhas da engenharia romana.   



Ruínas do Aqueduto Aqua Marcia, na região de Tivoli (Itália). Construído em 144 a.C., possuía 91km de extensão.



ponte do Gard é uma porção de um aqueduto romano situado no sul da França. Trata-se de uma ponte construída em três níveis que assegura a continuidade do aqueduto que trazia água na travessia do rio Gard. Foi provavelmente construída no século I a.C.

 
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