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28/03/2012

Os históricos desentendimentos de duas irmãs

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Olivia de Haviland e Joan Fontaine


Joan Fontaine e Olivia de Haviland, 1942

Curiosamente, Joan Fontaine e Olivia de Haviland são uma das poucas atrizes de Hollywood da década de 30 que ainda estão vivas. Já perto dos 100 anos de idade, ainda lúcidas, e podemos dizer que passaram a vida toda como inimigas.

A fama de Olivia de Haviland veio principalmente pelas suas atuações em clássicos como As Aventuras de Robin Hood (1938) e o épico E o Vento Levou (1939), neste último tendo interpretado o papel da doce e maravilhosa Melanie Hamilton Wilkes, considerado o papel mais marcante de sua carreira. A atriz interpretou a sensível personagem de forma magistral, nela tendo recebido a primeira de suas cinco nomeações para o Oscar. Posteriormente, ainda foi indicada na categoria de melhor atriz principal pelos filmes A Porta de Ouro (1941), Só Resta Uma Lágrima (1946), Na Cova das Serpentes (1948) e Tarde Demais (1949), tendo vencido em 1947 e 1950, por Só resta uma lágrima e Tarde demais, respectivamente.



As irmãs durante a adolescência.


Segundo o biógrafo Charles Higham, as irmãs sempre tiveram uma relação muito difícil, começando ainda na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan, que a teria forçado a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento entre as irmãs também, alegadamente, resultaria da percepção de Joan que Olivia seria a filha favorita de sua mãe.

Numa destas passagens curiosas da vida, as duas irmãs foram nomeadas para o Oscar de melhor atriz em 1942Fontaine foi indicada pela atuação no filmeSuspeita e De Havilland foi indicada pela atuação em A Porta de Ouro. Fontaine foi quem acabou levando a estatueta. O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da cerimônia de premiação, afirmando que Joan avançou empolgada para receber seu prêmio e claramente rejeitou as tentativas de Olivia cumprimentá-la. Naturalmente, Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Higham também afirmou que depois, Joan sentiu-se culpada pelo que ocorreu na cerimônia de entrega do prêmio. 

Anos mais tarde, seria a vez de Olivia de Havilland ganhar o prêmio de melhor atriz, em 1947, por sua atuação no filme Só Resta Uma LágrimaSegundo o biógrafo, na cerimônia de premiação Joan fez um comentário sobre o então marido de Olivia, que ficou mais uma vez ofendida e não quis receber os cumprimentos de sua irmã.

A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após outro incidente. Em 1975 aconteceria algo que faria com que elas deixassem de se falar definitivamente. Segundo Joan, Olivia não a teria convidado para um serviço memorial em homenagem a sua mãe, que havia morrido recentemente. Mais tarde, Olivia afirmou que tentou comunicar a Joan, mas que ela se encontrava muito ocupada para atendê-la.



Quando Joan decidiu entrar na carreira de atriz, sua mãe Lilian teria dito para ela escolher outro sobrenome, pois sua

irmã Olivia já estava usando o nome de família e que não poderiam existir duas De Haviland.


Charles Higham também diz que Joan tem um relacionamento distante com suas próprias filhas, talvez porque tenha descoberto que elas estavam mantendo um relacionamento secreto com a Tia OliviaAtribui-se a ela a seguinte frase:

Minha irmã Olivia é uma mulher muito peculiar. Quando éramos jovens, eu não tinha permissão para conversar com seus amigos. Agora, eu não estou autorizada a falar com seus filhos e eles nem são permitidos para me ver. Essa é a natureza da mulher. Não me incomoda em nada”.

Joan Fontaine em sua casa com as filhas, em 1954.


Ainda hoje as irmãs se recusam a comentar publicamente sobre a sua rivalidade e relacionamento familiar, apesar de Fontaine ter comentado em uma entrevista que muitos boatos a respeito das irmãs surgiram dos "cães de publicidade" dos estúdios. O que fica claro é que a causa dessa rivalidade vai muito além da profissional. Conta-se que as verdadeiras raízes encontram-se mesmo nesse ciúme e na batalha das duas mulheres pelo amor de sua mãe, Lilian.


Olivia, a primogênita; Joan e a mãe Lilian Fontaine.



A família De Haviland em sua casa em Tóquio, onde as irmãs nasceram, antes de 
se mudarem para os Estados Unidos. Na foto, a primogênita Olivia.


Olivia De Haviland na produção de Alice no País das Maravilhas, em 1933.

O resultado disso é que as duas praticamente não trocam uma palavra há mais de 35 anos e parece pouco provável que um dia irão se encontrar ou falar-se novamente. A rivalidade se tornou a mais amarga e mais longa de Hollywood, uma fonte de perigo para ambas as famílias, de vergonha e decepção para amigos e colegas. 



Olivia de Haviland e Joan Fontaine

Joan, quatro vezes casada e divorciada, mora atualmente com seus cachorros em sua casa na Califórnia. 

Olivia, duas vezes divorciada, vive em uma casa em Paris. Entrevistada em certa ocasião recente, respondeu à uma pergunta sobre uma possível reconciliação com a irmã. Com um sorriso simples, soltou a frase: "Melhor não".

 

 
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27/01/2012

#CineLista: O mágico filme "Casablanca"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Casablanca, inegavelmente, é um destes grandes filmes que a gente não se esquece mais. Talvez um dos maiores filmes de todos os tempos, junto com Cidadão Kane e ...E o Vento Levou


CASABLANCA



Cartaz de Casablanca


A fórmula de Casablanca é absolutamente simples: é magnífico na sua concepção. Começa com um roteiro perfeito, irretocável, contendo todos os elementos do cinema clássico e ainda traz à tela um variado leque de personagens, em torno dos quais gira uma mistura de assuntos variados. Neste filme, é possível ver um pouco de cada coisa: abordagens política, música inesquecível, paixão que envolve os dois principais personagens, romance, o ambiente da guerra mundial, heroísmo, mistério e intriga. Tem de tudo



O triângulo amoroso mais famoso do cinema


Poucos filmes são tão bem conectados ao tempo em que foram produzidos, como esteRodado em pleno ambiente da Segunda Guerra Mundial, numa época em que ninguém tinha a menor ideia de quem seriam os vencedores daquele louco conflito e, principalmente, sem conhecer todos os malefícios de seus resultados para o mundo, o filme é o grande marco da Idade de Ouro do cinema americano.



Cena do surpreendente final do maior romance do cinema


A direção é absolutamente consistente, muito segura e consegue prender a atenção da platéia até o seu final. Casablanca apresenta, ainda, um ótimo design de produção, uma belíssima fotografia em preto e branco e a indiscutível e fabulosa trilha sonoraÉ impossível esquecer a canção As Time Goes By, que foi gravada pela maioria dos grandes cantores e músicos americanos. O elenco é outro ponto forte do filme. 

Humphrey Bogart, uma das lendas de Hollywood, podemos dizer, seguramente, que tem neste filme o maior papel de sua carreira: interpretando o cínico, inescrupuloso, mas também nobre e generoso Rick. Mais do que ele, temos neste filme a belíssima e talentosa Ingrid Bergman, que consegue manter uma química inesquecível com o astro. Os atores coadjuvantes também oferecem uma magnífica contribuição para o sucesso do filme, com as ótimas atuações de Claude Rains, Conrad Veidt, Paul Henreid, Peter Lorre, Sydney Greenstreet, S. Z. Sakall, além da marcante participação de Dooley Wilson como Sam.



Casablanca


Um filme inesquecível e imperdível.


Impossível não se lembrar do olhar expressivo de Ingrid Bergman cantarolando As Time Goes By, ao lado do piano, com seu broche reluzente e aura apaixonada no personagem de Ilsa. Não deixem de assistir o vídeo abaixo:


 
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19/01/2012

#CineLista: A mulher faz o homem

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Cartaz original do filme, em 1939

Baseado numa história de Lewis R. Foster, este é, sem dúvida, mais um dos autênticos filmes do genial Capra. Já falamos desse diretor em uma outra matéria, sobre o filme Felicidade Não Se Compra. 

Maravilhoso. A Mulher Faz o Homem é um dos melhores filmes de todos os tempos, um daqueles que a gente assiste e nunca mais consegue esquecer, sobretudo pela estupenda atuação de James Stewart.

A produção e direção do grande cineasta Frank Capra é impressionantemente irretocável. O filme é uma gostosa comédia dramática que trata da corrupção, do mau uso da vida pública na política por parte de alguns senadores e da grandeza daqueles que a ela resistem.

Em certos trechos do filme, parece que a gente está assistindo ao próprio cenário atual na política brasileira e, neste aspecto, é curioso como este filme parece ser tão atual, mesmo sendo de 1939.


A MULHER FAZ O HOMEM




SINOPSE:

Jefferson Smith é um inocente homem do interior que é levado a Washington por um grupo de políticos para se tornar senador dos Estados Unidos da América. Eles o querem transformar em uma marionete a serviço de seus interesses. Aos poucos, o homem vai percebendo o ambiente corrupto em que agora convive. Um ambiente capaz de destruir todos os valores pelo que sempre acreditou em relação à bondade e ao caráter dos gestores de seu país.

A trama mostra uma clássica luta entre o bem e o mal, entre a correção e a honestidade e os confrontos com os que se utilizam de um cargo público para usufruir de interesses escusos. 


 

Cena em Mr.Smith goes to Washington


Capra é um gênio nesta abordagem. Traz-nos neste belo filme a mensagem que é possível ser correto e honesto e defender tais princípiosEmbora se trate de uma produção de 1939, A Mulher Faz o Homem é um daqueles filmes que seguramente nunca vão envelhecer. Ele continua carregando uma mensagem bem atual, porque é assim que vivemos todos os dias: assistindo em palcos políticos a deturpação dos homens públicos.

O trabalho de Capra é perfeito.  Aliás, o filme é magnífico em quase todos os aspectos, o que justifica as onze indicações ao Oscar por ele recebidas na ocasião. Indicado ao Oscar de Melhor Ator, James Stewart  foi muito injustiçado, de certa forma, pela Academia, ao perder a estatueta para Robert Donat e sua boa atuação em Adeus, Mr.ChipsÉ verdade que Donat esteve impecável neste filme, reproduzindo um professor que dedica toda a sua vida ao ensino, mas não poderia ter vencido Stewart. 

Não se pode esquecer ainda os papéis maravilhosos dos atores Claude Rains, Thomas Mitchell, Jean Arthur e Harry Carey.



James Stewart e Jean Arthur em A Mulher Faz o Homem

 

Imperdível!

Não deixem de ver. Este eu também recomendo como um dos melhores filmes da história do cinema.



Filmagem de A Mulher Faz o Homem

 
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17/01/2012

Amar foi minha ruína

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Este é outro filme que dificilmente se esquece:


AMAR FOI MINHA RUÍNA



 

SINOPSE:

Um clássico melodrama.

Exuberante cinematografia aclamada como vencedor do prêmio da academia. Nele, é possível ver a belíssima e impecável artista Gene Tierney conseguindo retratar fielmente o retrato de uma mulher ciumenta e doentia, um caso que é interpretado, inclusive, como um fantástico estudo de desvio de personalidade e que a fez merecer, na ocasião, a justa indicação ao Oscar de Melhor Atriz. De fato, ela está maravilhosa neste papel.

Embora seu personagem apareça inicialmente como noiva de um político (Vincent Price), Ellen (Tierney) seduz Richard (Cornel Wilde) e casa-se com ele após conhecê-lo há poucos dias, como se fosse uma paixão fulminante. Mas Richard logo descobre com sua irmã (Jeanne Crain) e sua mãe (Mary Philips) que o egoísmo e o amor possessivo de Ellen já arruinaram a vida de outras pessoas.

Quando seu próprio irmão se afoga sob os cuidados de Ellen, que assiste sentada friamente o ocorrido de um barco, incapaz de mover-se ou de qualquer reação para salvar o garoto (tudo para não dividir o afeto do seu marido com ninguém), fica evidente que para Ellen não há limites para seu possessivo ciúme.  

Em seguida, ela perde o filho que esperava e, assim, a suspeita de Richard sobre a insaciável devoção de Ellen fica evidente. Ela trama jogar-se grávida de uma escada para obter a atenção exclusiva do marido, mesmo que isto custe a perda de uma gravidez.



Cena clássica de Amar foi minha ruína

Este filme é imperdível. A linda Tierney está em um desempenho irretocável, que contrasta, inclusive, com sua vida particular.Do outro lado do glamour artístico, sua vida pessoal foi sempre de uma mulher belíssima, talvez uma das mais bonitas do cinema, nascida em uma família de posses, que estudou nas melhores escolas da costa leste estadunidense e na Suíça, mas que teve uma vida absolutamente atormentada, cheia de grandes problemas e conflitos.

Foi casada com o estilista francês Oleg Cassini, com quem teve duas filhas.  Em 1957 foi hospitalizada em razão de depressão, levou muito choques elétricos numa clínica para tratamento em decorrência de seus problemas mentais e com sérios problemas psicológicos, originados pelo fracasso de seu casamento, por novos insucessos em outros relacionamentos seguintes e, principalmente, pelo fato de sua filha mais velha ter nascido com retardo mental.



Gene Tierney e Oleg Cassini


Gene Tierney morreu em consequência de enfisema, com sinais de demência, alguns dias antes de competar 71 anos de idade. Com sua vida sofrida e atribulada, acabou sendo submetida a uma série de passagens por diversas clinícas psiquiátricas ao longo de sua vida.

Entre tantos bons filmes que fez, desceu tristemente da cena da vida uma das grandes artistas do cinema, inesquecível em Amar foi minha ruína.

Confira, você vai ficar impressionado com o desempenho artístico dela.

 
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