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13/01/2012

#CineLista: Cidadão Kane, uma obra imortal do cinema

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História, Cinema
  




Orson Welles tinha pouco mais 20 anos de idade e mesmo assim dirigiu, produziu e roteirizou uma das maiores obras-primas da história do cinema. Mais do que simplesmente um filme, a obra é um marco para a evolução das técnicas cinematográficas. Produzido em 1941 nos Estados Unidos, o filme foi considerado muito à frente do seu tempo, devido à abordagem dada a manipulação da massa através do meio de comunicação em questão: o jornal.


CIDADÃO KANE



Cartaz do Filme Cidadão Kane

Filme baseado em fatos reais, inspirado na vida do magnata da comunicação Willian Randolph Hearst, nascido e criado em berço de ouro, que foi herdeiro de um jornal que ambicionava o crescimento do seu veículo de comunicação.

É até dificil definir com clareza  a grandeza desta obra prima ou falar de Cidadão Kane: é complexo assistí-lo, é difícil medir até mesmo a dimensão de sua importância para o cinema. É ainda impossível falar do filme sem levar em conta a época que fora realizado. Se ainda hoje a produção tem impacto e denuncia toda a sujeira por trás do sistema jornalístico mundial, imagine o apocalipse que causou na tradicionalista e cheia de regras de conduta década de 40?

Um personagem sujo, egoísta e egocêntrico no meio de tantos galãs? Uma guerra começando e a denúncia ali, na tela? Era muito para as pessoas. Na época de seu lançamento, diversas pessoas chegaram a abandonar as salas de cinema revoltadas e o filme foi muito mal em diversas críticas.

O filme começa com uma cena bem curiosa: um castelo, que em breve sabemos que se chama Xanadu, com uma placa de “afaste-se” pendurada na grade e uma câmera que vai passeando por ele, como se desfilasse até uma janela. Até aí, nada demais para quem, de alguma maneira, está familiarizado com uma certa linguagem de boa qualidade no cinema. No entanto, tudo isto teve um significado muito maior na época. Depois a cena de transição passa para dentro do castelo e então, por um outro recurso técnico inovador, vemos uma pessoa segurando uma bola dizendo Rosebud. Logo depois, ele a solta, entra uma enfermeira na sala e vemos que o homem está morto. 


 

O último suspiro do poderoso Kane, um homem obcecado pelo acúmulo do poder, e Rosebud

Tem-se início um documentário. Através dele, descobrimos que quem acabara de morrer é ninguém mais ninguém menos que Charles Foster Kane, um dos homens mais importantes da época. O documentário tem duração de mais ou menos 10 minutos e mostra tudo resumidamente o que será aprofundado pelas próximas duas horas em Cidadão Kane.

A partir daí, vemos quem está realizando o tal documentário e que o mesmo não está satisfeito com o resultado provisório apresentado. Na tentativa de tornar o conteúdo mais interessante, ele coloca seus jornalistas atrás da resposta sobre uma questão que será a espinha dorsal do filme: O que diabos significaria Rosebud, a última palavra proferida pelo gigante Kane?

Pode ser que nem todos achem a história de Cidadão Kane tão interessante, mas, analisando a sua importância, o filme é grandiosamente impecável. Um destes clássicos  do cinema que deve ser assistido por todos, não importa a idade, os valores humanos, as preferências ou sei lá mais o quê. É um filme inesquecível e estará vivo facilmente por mais alguns sessenta anos.



Cena em Cidadão Kane


O filme foi considerado, por grande parte da crítica especializada, como o maior filme da história do cinema, figurando em primeiro lugar na lista do American Film Institute (AFI).

Os especialistas elegem pelo menos cinco razões que fazem Cidadão Kane aparecer em todas as listas dos grandes filmes:

1) A revolucionária estrutura do roteiro de Welles e Mankiewicz;

2) A singular composição fotográfica em claro-escuro, que leva às últimas consequências o estilo expressionista;

3) O efeito dramático obtido com o rebaixamento dos tetos do cenário;

4) O audacioso paralelo proposto entre o personagem Charles Foster Kane e o real magnata da imprensa William Randolph Hearst;

5) A permanência do mistério que envolve a palavra Rosebud.



Noite de estreia de Cidadão Kane

Este eu recomendo e assino embaixo. Para quem gosta do que é bom, Cidadão Kane é uma obra prima do cinema, verdadeiramente imortal. Em qualquer lista de quem conhece bons filmes ele estará, com certeza, entre os melhores. 

 
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02/01/2012

A Incomparável Bette Davis

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Bette Davis

Tudo o que se falar sobre a grande diva Bette Davis parece pouco para reconhecer o seu enorme talento em praticamente todas as suas aparições no cinema. Uma formidável artista.

Conhecida por sua vontade de interpretar personagens antipáticos, Bette Davis foi venerada por suas atuações numa variada gama de gêneros cinematográficos: de melodramas policiais a filmes de época e comédias, embora seus maiores sucessos tenham sido em romances dramáticos.

Para indicá-los a mais um clássico imperdível, escolhi aqui um dos seus filmes inesquecíveis que, segundo ela, foi um dos melhores roteiros que ela tinha lido.


A MALVADA



A Malvada é uma das piores traduções de um título para português. 

Olhando este cartaz e sabendo da fama de má que Bette Davis possuia, se entende que a malvada do título seja ela, 

não é verdade?  Um grande equívoco, pois a malvada aqui é justamente Eve 


A Malvada foi um filme americano de 1950, do gênero drama, escrito e dirigido por Joseph L. Mankiewicz e baseado na obra The Wisdom of Eve, de Mary Orr. Juntamente com Titanic e Ben Hur, o filme possui o maior número de indicações ao Oscar: foram quatorze, das quais levou seis estatuetas. Alguns acham uma quantidade exagerada de indicações para este filme. No entanto, o filme de fato tem grandes qualidades, a começar pelo roteiro. Um verdadeiro clássico! 

Este filme é a afirmação que um bom roteiro é essencial para um longa de sucesso. As atuações do elenco são impecáveis Em um brilhante e inesquecível trabalho, Bette Davis encarna a personificação de uma diva do teatro que vive o dilema de estar envelhecendo para os papéis mais jovens.



Cartaz de divulgação de A Malvada


SINOPSE


Margo Channing, personagem da grande diva, é uma das maiores estrelas da Broadway, o retrato de uma grande atriz: imponente e dona de sua carreira.

Eve Harrington, papel de Anne Baxter, é uma garota pobre que acompanha a carreira de Margo de perto todos os dias, até que um dia ela é apresentada à seu ídolo por Karen Richards (Celeste Holm) e consegue encantar a todos com seu charme juvenil e sua triste história. Aos poucos, ela vai ganhando a confiança de todos e consegue o emprego de assistente de Margo.  

Quando ela consegue finalmente estabelecer um laço de amizade e companheirismo com Margo, mais que depressa ela põe um plano sombrio em prática: tomar o lugar da diva nos teatros, para assim se tornar a maior atriz da época. Eve é apresentada como uma indefesa jovem, que tem o simples sonho de conhecer sua estrela e aos poucos ela vai se mostrando uma mulher má, rancorosa, mas que nunca deixa de perder a cara de inocente.



Eve e Margo em cena inesquecível na escada em A Malvada


Por falar em Bette Davis, é sempre bom lembrar que ela simplesmente não encontra rivais na história do cinema mundial e neste filme ela está especialmente soberba. É possível afirmar que a grande diva Davis é incomparável.

Indispensável para coleção de bons filmes, A Malvada é imperdível!

 

 

 
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29/12/2011

Os Cinemas de Recife

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História, Cinema
  


Seria preciso ficar alguns dias para contar um pouco da rica história das salas de cinema de Recife, porque, de fato, é um relato enorme e que marcou a vida desta cidade e, sobretudo, dos amantes de cinema desde o início do século XIX.

O primeiro cinema do Recife foi o Pathé, localizado na Rua Nova e inaugurado em 1909. Dispunha de uma sala com 320 cadeiras, com um camarote para autoridades e pessoas importantes. Os filmes exibidos pertenciam à Pathé-Frères. A partir de 1910 passou a exibir, além de filmes, alguns flagrantes locais filmados pela própria empresa. 


Ruínas do Cine Pathé

Chegando para disputar o público recifense, menos de quatro meses depois surgiu um novo cinema na cidade: o Royal, também situado na Rua Nova, pertencente à firma Ramos & Cia. O Royal exibia sete filmes, enquanto o Pathé colocava oito na sua programação. Uma acirrada concorrência, já naquela época... O Pathé, no entanto, encerrou suas atividades antes de 1920. O Royal conseguiu ter uma vida mais longa, por pouco mais de quarenta anos: fechou em 1954 e foi um dos um dos mais tradicionais cinemas da cidade, sendo considerado, nos anos 20, como o templo sagrado do cinema pernambucano, quando pertencia ao português Joaquim Matos.


Público no Cine Royal

Em 1910, como já comentamos em uma matéria anterior, na Rua da Imperatriz surge o teatro e cinema Helvética, de propriedade de Girot & Cia. “Um cassino familiar”, como seus donos gostavam de caracterizá-lo. Em 1930, o Helvética passou a ser um centro de diversões chamado de Centre Goal


Cine Helvética ou Centre Goal

Polytheamalocalizado na Rua Barão de São Borja, no bairro da Boa Vista, foi inaugurado em 1911. Era chamado pelos estudantes da época de “Polypulgas”. Em 1932, passou a pertencer à empresa de Luiz Severiano Ribeiro. É também desta época o surgimento de um cinema ao ar-livre, o Siri, que projetava anúncios e filmes intercalados, de um sobrado para uma tela. Localizado na Praça da Independência, foi fechado pela Polícia no governo de Dantas Barreto “a bem da moral”.



Fachada do Polypulgas

Em 1913, o Teatro Santa Isabel funcionou também como cinema (considerado como o melhor do Recife). Era o que possuía uma “projeção mais clara, fixa e nítida”, pois foi nele que se inaugurou um novo cinematógrafo, um aparelho inventado em 1895 pelos irmãos Lumière, capaz de produzir numa tela o movimento por meio de uma sequência de fotografias. Mesmo sem possuir iluminação elétrica, que só foi instalada três anos depois, era considerado o cinema mais confortável do Brasil.


Teatro Santa Isabel em 1913

Moderno foi inaugurado como teatro em 1913, no bairro de Santo Antônio, mas a partir de 1915 passou a funcionar também como cinema.


Cine Moderno

Teatro do Parquede 1915, na Rua do Hospício, passou a funcionar também como cinema a partir de 1921. Construído pelo Comendador Bento Luís de Aguiar, foi arrendado por Luiz Severiano Ribeiro em 1929, que inaugurou naquela casa de espetáculos o cinema sonoro no Recife. Em 1915, surge ainda o Cine Ideal, localizado no Pátio do Terço, no bairro de São José. Este cinema tinha uma particularidade: possuía 250 assentos de primeira classe e 217 de segunda classe.

Em 1922, o Recife contava ainda com o cinema Brasil, na Rua Imperial; o São José, no pátio do Mercado de São José; e o cinema Glória, inaugurado em 1926, que ficou famoso pelas suas sessões da tarde e ficava situado na Rua Direita. 

Na década de 1930, Recife possuía o Cine Torre na Visconde de Irajá, no bairro da Torre - que teve grande movimentação de público e sobreviveu até o final dos anos 1960. Funcionavam ainda os cinemas de bairros: EspinheirenseEncruzilhada, Pina e Central.



Cine Torre


Na década de 1940, foram inaugurados no Recife os cinemas Art Palácio Trianon, no centro da cidade, praticamente um de costas para o outro, mas ambos, depois de uma fase gloriosa de grande frequência de público, fecharam suas portas - despovoando o centro da cidade de salas de cinemas tradicionais.


Cine Art Palácio


O cinema São Luiz, pertencente ao grupo de Luiz Severiano Ribeiro, foi inaugurado no térreo do Edficio Duarte Coelho, em 1952, com modernas e luxuosas instalações; ficando famoso por suas sessões de sábado de manhã, sessão da meia noite. Seguramente um dos cinemas mais bonitos deste país. Um dos cinemas mais tradicionais do Recife estava completamente abandonado até ser fechado em outubro de 2006 e depois de uma vasta reforma, reabriu as portas em dezembro de 2009, pronto para receber as novas ações culturais do Governo do Estado. A sala de exibição mais importante do Estado faz parte agora da rede de equipamentos culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e, em parceria com o Instituto Lula Cardoso Ayres, instalará a Cinemateca Pernambucana. 



Cinema São Luiz

Em seguida, cinemas mais recentes: o Venezana Rua do Hospício, o Astor e o Ritzlocalizados próximos ao Parque 13 de Maio e o Coliseu, entre tantos outros, também tiveram sua época áurea na cidade, mas não resistiram. Bons tempos aqueles.  



Cinema Veneza

Este  propagado progresso avassalador, o advento da televisão, do vídeo-cassete e, posteriormente, do DVD, interromperam a trajetória de crescimento das salas de projeção na cidade e foram os responsáveis pelo fechamento dos cinemas tão tradicionais da cidade e que por muito tempo escreveram a vida dos que os frequentavam.

Para se ter uma ideia mais precisa: dados apontam que em 1968, existiam em Pernambuco cerca de 101 cinemas, sendo 28, só na cidade do Recife. Hoje, só sobrevivem as salas de projeção de filmes em shopping centers da cidade. É uma paisagem fria, repetida, bem mêcanica, nada romântica, sem decoração alguma, padronizada e totalmente diferente dos lindos e originais cinemas que costumávamos frequentar.

 

 
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22/12/2011

#CineLista: Testemunha de Acusação

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Dando continuidade a nossa série dos filmes absolutamente imperdíveis, a #CineLista fala sobre Testemunha de Acusação.

O filme é muito bom, a narração de todo o texto é preciosa e bem construída. Quem gosta de suspense e de uma boa trama, não pode deixar de assistí-lo.

TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO



Uma vez a cada cinquenta anos surge um suspense como este: Testemunha de Acusação


Este filme estadunidense de 1957 foi dirigido pelo grande Billy Wilder – responsável pela direção de tantos outros grandes filmes, mas que nesse, especialmente, ele fez um excelente trabalho. Baseado em uma peça teatral de Agatha Christie, a produção contou com um elenco de primeira: Tyrone Power, Marlene Dietrich, o grande Charles Laughton (que está simplesmente maravilhoso no seu papel de advogado criminalista) e a magnífica Elsa Lanchester.


SINOPSE:

Leonard Vole (Tyrone Power) é preso sob a acusação de ter assassinado uma rica viúva de meia idade, tudo arquitetado para ficar com o dinheiro dela. O Sir Wilfrid Robarts (Charles Laugton), um veterano matreiro e muito astuto advogado, concorda em defendê-lo, mesmo ainda se recuperando de um recente e quase fatal do coração. Wilfrid é um dos mais afamados criminalistas do país, todos os “casos perdidos” são enviados para ele, que tem fama de transformá-los em “casos vencidos”.

O advogado está sob intenso cuidado médico, com uma recomendada dieta que o proíbe de tomar seus tragos de bebidas alcoólicas e de envolver-se em casos complicados e estressantes, como o do personagem Leonard Vole. No entanto, a atração que ele tem por processos e pelas cortes criminais fala mais alto. Do lado de seu trabalho de advogado, ele é sempre acompanhado por uma eficiente enfermeira que o vigia rigorosamente, tomando conta de sua saúde. A convivência com sua cuidadosa enfermeira por si só, já vale o filme. 



'Quer eu feche a janela Sir Wilfrid?' - pergunta a cuidadosa enfermeira. 

' Por Deus, mulher, quero que feche a sua boca! Se soubesse que falava tanto assim jamais teria saído do meu coma'.


E tudo se desenrola nesta trama da morte da viúva. O único álibi a favor do acusado é o testemunho de sua esposa Christine Vole. Mas eis que, de repente, acontece uma surpresa: a esposa, testemunha da defesa, fria e calculista, vira o lado de seu depoimento e  passa a ser testemunha da acusação, para surpresa de todos.

Durante os últimos minutos, o desfecho do filme muda várias vezes, surpreendentemente. Um suspense com toda categoria de um grande filme. Imperdível!

Mas, quem foi afinal que matou a viúva rica? Você vai se surpreender com a resposta!



 

Na maior parte do filme o que se pode ver é uma verdadeira batalha de gigantes interpretações, dos personagens Wilfrid e Christine, fazendo com que cada parte saia vencedora.

Inesquecíveis as cenas de Laughton (no papel do velho advogado) usando o seu monóculo para ver se as pessoas estão falando a verdade e o jeito como ele descobre se as cartas que possui em mãos são realmente de Christine.


CURIOSIDADES:

Três fatos curiosos chamam atenção deste filme:

  • Este foi o último filme do galã Tyrone Power, que morreu logo em seguida ao término das filmagens por seus velhos problemas cardíacos, aos 44  anos.
  • Nos créditos finais do filme original, aparece uma voz (um tanto cheia de suspense) pedindo aos expectadores para que ninguém revele o final às pessoas que ainda não tenham assistido ao filme. Pedido que faço a você também: não conte o final para ninguém.
  • Acredite se quiserem, mas todas as pessoas que participaram das filmagens ou entraram nos sets de filmagem, naquela época, tiveram que assinar um compromisso de não revelar o final surpreendente deste filme!


Assim, eu realmente recomendo que assistam. Só não posso contar como acaba o filme, afinal, foi o pedido decretado na edição originária do mesmo. 

Vocês vão ficar surpresos com o final. Perfeito! Confiram...

 
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