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06/12/2011

Natalie Wood em "Clamor do Sexo"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  




Agora no final deste ano de 2011, noticiou-se a reabertura do caso sobre a morte da bonita artista Natalie Wood, que morreu, em 1981, sob estranhas circunstâncias. A artista, que sempre declarou que não sabia nadar e nunca escondeu seu medo de água, acabou morrendo da forma que sempre temera. Wood estava passando o final de semana de Ação de Graças em um iate juntamente com seu marido, Robert Wagner, e o amigo Christopher Walken. Seu corpo foi encontrado na praia da Ilha de Catalina, Califórnia. 

A versão oficial foi morte acidental, mas há quem diga que não passou de um crime passional e a recepção de novas evidências dão margem a novas especulações.

Quando se pensa nesta artista é inevitável não se lembrar deste bom filme da década de 60. Aparentemente, era um texto singelo e poderia transparecer ser um filme comum. Com a direção de Kazan, Clamor do Sexo foi um grande filme.



CLAMOR DO SEXO



SINOPSE:

É a história de Bud (Warren Beatty) e Deanie (Natalie Wood), um casal de estudantes, no estado do Kansas, no final dos anos 1920. Apesar da grande paixão do casal, o romance sofre forte resistência pela repressão sexual da sociedade da época. O crash da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, ainda atinge as respectivas famílias de diferentes maneiras, dificultando ainda mais o sucesso deste amor.


Kazan, o diretor, deu a Warren Beatty o seu primeiro papel de destaque e o jovem ator se saiu muito bem; mas é Natalie Wood, que já tinha provado ser uma grande atriz no eterno musical Amor, Sublime Amor e em Juventude Transviada, quem rouba a cena.

O filme mostra a depressão gradativa da personagem de Natalie Wood por conta do afastamento do namorado Bud. Ela está extraordinária no papel. Esse aspecto não deixa de ser um pouco forçado por parte do roteirista Willian Inge, que exagera melodramaticamente ao internar, muito rapidamente, Deanie num hospício. Não nos é mostrado com clareza o afastamento do casal, e, de repente, Deanie já está aos berros histéricos na banheira de sua casa, num descontrole mental absurdo. Entretanto, como Wood trabalha com muita competência, acabamos nos convencendo que ela esteja mesmo fora de controle, e, assim, tudo se torna aparentemente bem real.

A passagem imperdível mesmo no filme é ela lendo um poema de William Wordsworth, romântico poeta inglês, que resume de forma apropriada todo o conteúdo da película. A beleza disto tudo é simples: ver duas formas de arte se comunicando na tela, unindo-se para criar um trabalho consistente e delicado - cinema e poesia juntos - e, por isto, o filme não deixa de ser um clássico; importante tanto no seu aspecto artístico quanto histórico.

Vale a pena conferir!


Leia parte deste lindo poema, que justifica, inclusive, o nome original do filme:


Ode: Prenúncios de imortalidade em recordações da primeira infância, verso X:

"Que importa agora que não mais me encante

aquele antigo e vívido fulgor?

Mesmo que nada nos devolva o instante

de esplendor para a relva e glória para a flor

No que restou, vamos achar, sem mágoas, um poder similar

Na simpatia primordial, que tendo sido, é eternal..."


Para quem tiver interesse, achamos a cena na internet (em inglês): 

Título original:  Splendor in the Grass

Lançamento:  1961 (EUA)

Direção:  Elia Kazan

Gênero: Drama/ Romance

 
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29/11/2011

#CineLista: A Felicidade não se compra

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Quando tivemos a ideia de criar um blog, o nosso objetivo principal era de dividir com vocês as nossas maiores paixões. Dentre delas está, com certeza, o cinema.

Por esse motivo, hoje iniciamos uma nova série no blog: #CineLista. Serão várias dicas de filmes que, na minha opinião, precisam ser vistos e apreciados por todos. Se você é daqueles que ainda não tem muita simpatia por filmes antigos, esses filmes que recomendarei são uma maravilhosa porta de entrada para esse mundo encantador do cinema clássico. No entanto, se você for como eu - um declarado apaixonado por cinema - vai embarcar comigo na lembrança de filmes simplesmente inesquecíveis!

Vamos começar?

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA  





Este eu recomendo. Está na minha lista dos melhores filmes de todos os tempos!

Você já assistiu a este filme? Não? Ninguém pode deixar de assistir este que é um dos maiores filmes da história do cinema. Imperdível! A história é super simples, mas é daquelas que a gente não esquece mais.. Impossível também não se emocionar com a direção de Capra, o mago em construir grandes fábulas.


SINOPSE:


Na pequena cidade de Bedford Falls, no Natal, George Bailey (James Stewart), que sempre ajudou a todos de sua comunidade, depois de alguns eventos desencontrados em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região, decide pôr fim a sua vida saltando de uma ponte. Naquela noite, Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é então mandado a Terra para tentar fazer George mudar de ideia, demonstrando sua importância na vida de todos de Bedford Falls através de flashbacks. Assim, ele vai descobrindo como seria o mundo sem ele...



Na época de seu lançamento, este filme nem fez muito sucesso. Hoje, no entanto, é uma verdadeira mensagem para o final do ano, principalmente nesta época de Natal.

Frank Capra foi um gênio incomparável na arte de fazer fábulas grandiosas e, inegavelmente, é um dos maiores diretores que já existiu. Comparado aos filmes deste diretor, o cinema atual literalmente morreu. Em certa ocasião, Steven Spielberg, disse que este era um dos seus filmes preferidos e que ele o revia sempre antes de iniciar um novo trabalho. 



Título original:  It's a Wonderful Life

Lançamento:  1946 (EUA)

Direção:  Frank Capra

Atores:  James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell e Henry Travers.

 
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24/11/2011

Curiosidades sobre cinema: o ano de 1939

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  




Você gosta de verdade de cinema? Dos autênticos bons filmes?

Se eu mesmo pudesse escolher apenas um ano para definir o que de melhor foi produzido no cinema, inegavelmente seria o ano de 1939. No entanto, não só eu escolheria este ano, a maioria dos especialistas na sétima arte também fizeram isto.

Há sete décadas o cinema estreava produções que iriam marcar para sempre a sétima arte. Foi uma safra de ouro, com destaque em todos os gêneros de filmes, consagrando diretores e artistas. Nesta época, acredite, já havia quase 18.000 salas de cinemas nos Estados Unidos, a entrada era módica (algo em torno de US$ 0,25), o mundo estava em guerra, mas o público estava cada vez mais fascinado por esta forma de entretenimento.

A Segunda Guerra Mundial começava naquele ano, mesmo que os EUA só tenham entrado nela em 1941. As economias recuperavam-se, de alguma forma, ainda dos efeitos devastadores da crise originária em 1929, com o crash da bolsa e Hollywood investia em grandes produções cinematográficas. Mesmo que, aparentemente, pudesse até ser um tempo sombrio ou de incertezas, o cinema surge como algo verdadeiramente mágico.

Colorizava-se essa ideia de grandes filmes, as estreias eram super badaladas com a presença dos grandes astros, que, muitas vezes, se apresentavam antes das sessões de lançamento, em tardes e noites glamourosas. 

O que aconteceu naqueles dias foi um conjunto de coincidências que culminaram para que aquele ano fosse singular na história do cinema, fazendo, assim, 1939 como o ano das maiores produções. Eis que surgem: ... E o Vento Levou; Adeus Mr. Chips; O Mágico de Oz; Meu Reino por um Amor; A Mulher faz o Homem; Ninotchka; O Morro dos Ventos Uivantes; No Tempo das Diligências; Vitória Amarga; para não falar de tantos outros...

Para não glamorizarmos apenas a grandiosidade de alguns filmes em especial, basta identificarmos um dado inimaginável: foram cerca de 483 produções lançadas naquele ano, e não faltavam os grandes astros, Clark Gable, Joan Crawford, Bette Davis, Greta Garbo, Mickey Rooney, Shirley Temple, o gigante Laurence Olivier, Tyrone Power disputando as bilheterias e rendendo algo em torno de US$ 659.000.000,00.

Entre os grandes filmes, o mais cultuado sem dúvida é... E o Vento Levou, com direção de Victor Fleming. Os direitos sobre a obra de Margaret Mitchell foram comprados por apenas US$ 50.000,00 para a adaptação, imaginem! E quem não se lembra das cenas coloridas e não sentiu dor ao ver a pequena Bonnie (papel interpretado pela atriz Cammie King) caindo do pônei. Não há como esquecer Scarlett O’Hara rolando na escadaria ou as cenas do pôr-do-sol em Tara. O filme é todo irretócavel.

O livro já era um sucesso absoluto e a sua estreia nas telas foi esperada ansiosamente pelo público, que, após longo período de espera, pôde ver em technicolor o cultuado astro Clark Gable, ao lado da praticamente desconhecida Vivien Leigh.

O filme teve tantas dificuldades para ser levado a efeito: confusões de bastidores envolvendo Gable e o diretor inicial George Cukor e a posterior substituição de Cukor por Fleming. Porém, nada deteve a beleza de um resultado magnífico, e, ao final, o que se viu foram três horas e quarenta e dois minutos de um filme premiado com os Oscars de Melhor Filme, Direção, Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (a maravilhosa Hattie McDaniel e sua anágua vermelha), Roteiro Adaptado, Fotografia em Cores, Cenografia e Montagem. Prêmios merecidos para cenas inesquecíveis.

E não pára por ai. Havia ainda outros espetáculos naquele ano: O Mágico de Oz, também assinado por Victor Fleming. Podia parecer perigoso investir-se em duas super produções em um único ano, não fosse o Estúdio MGM, que poderia arriscar tudo, com suas tantas estrelas, como de um céu inspirado.

Desta forma, a história infantil mágica também foi às telas com Judy Garland ganhando o papel de Dorothy, a menininha do Kansas. Shirley Temple foi até cogitada para o papel, mas a Paramount não cedeu o seu maior trunfo para a MGM, fazendo com que o papel voltasse às mãos de Garland.

A personagem acabou sendo o grande trunfo da carreira da jovem atriz e ela rodou os Estados Unidos em apresentações que aconteciam antes das sessões, rendendo mais circulação de dinheiro para a audaciosa MGM. Depois disto, é impossível imaginar "Somewhere Over the Rainbow" fora do filme ou na voz de alguém que não fosse Judy.

Uma coisa é certa: para 1939 tudo era possível. Não havia limites para ousadia, foi o ano em que Greta Garbo falou (Ufa! Finalmente) e riu também - para quem aparecia tão linda, mas silenciosa. Em Ninotchka, uma comédia romântica assinada por Billy Wilder, a eterna diva recebeu inclusive uma indicação ao Oscar. Neste ano, inclusive, ainda se tinha outra grande atriz, Bette Davis em Vitória Amarga.

E, assim, se escreveu o ano mágico que mudou a história do cinema. Talvez a grande contribuição daqueles dias fosse mesmo a de firmar a arte do cinema, de forma mais difundida e ganhasse, definitivamente, um lugar de destaque na vida de seus espectadores mais fiéis. A crítica cinematográfica reconhece ser este o ano glorioso de criação de Hollywood.

Para quem gosta verdadeiramente de cinema, o ano de 1939 ainda não acabou. Passa-se o tempo, a gente assiste a estes filmes novamente e ainda se surpreende que eles sejam melhores do que da última vez que o vimos, como se o vento não tivesse conseguido levá-los.

 
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