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16/09/2013

“Cinema Paradiso” não é somente um simples filme, é uma poesia!

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Cinema Paradiso, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1989

Qualquer lista de filmes inesquecíveis que se faça, seja considerado por décadas, gêneros ou por qualquer tipo de classificação, é obrigatório incluir o grande filme “Cinema Paradiso”.

Inegavelmente, o italiano Giuseppe Tornatore construiu uma das mais belas obras de grande amor e de homenagem ao próprio cinema. O garoto Totó e o projecionista de uma cidade pequena, o grande Alfredo, são dois mágicos protagonistas desta história. 

Um dia o personagem Salvatore di Vita, renomado diretor de cinema que reside em Roma é surpreendido com a notícia da morte do grande amigo Alfredo. O artista, então, se recorda de seu amigo, responsável pelo Cinema Paradiso, onde foi o refúgio de sua infância quando o garoto aprendeu a amar o cinema. Foi no Cinema Paradiso que ele construiu todos os seus sonhos fílmicos. Era para lá que ele escapava sempre que possível.

O personagem Totó mostra o seu amor por este universo fascinante do cinema e qualquer amante do cinema vai se emocionar com as cenas que Tornatore construiu, mostrando cenas que povoam as telas do Cinema Paradiso, que literalmente encantam toda a sua plateia.

É com extrema habilidade e apurada emotividade que o diretor retrata a vida de um menino simples transitando a sua vida para o universo da adultez e com o cinema do lado, perseguindo o seu crescimento pessoal. É de forma poética que ocorre este amadurecimento do protagonista, que tem sua sensibilidade e seu olhar educados pelas imagens, principalmente por cenas inesquecíveis de beijos proibidos.


Na história do filme, as cenas de beijos eram cortadas de todas as películas, para que não fossem ao ar para a plateia. Nesta cena, Totó se diverte e se descobre com as cenas que eram guardadas por Alfredo.


Com uma desilusão amorosa em seu relacionamento com Elena, quando ele era jovem, filha do banqueiro de sua cidade, ele parte para Roma e somente após a morte de Alfredo, trinta anos depois, é que retorna para sua inesquecível terra natal, Giancaldo, na Sicilia.

Além do mais, a preciosa cenografia e a sublime direção de arte conferem a esta obra, concebida e dirigida por Tornatore, uma aura inesquecível.

Ninguém nunca esquecerá esta dupla. O carismático Philippe Noiret como o mestre Alfredo, ao lado de seu aprendiz, o pequeno Totó, com seu irresistível magnetismo da interpretação atraente de Salvatore Casico.

Imperdível para quem ama cinema!

 
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10/09/2013

Mulheres dos filmes “noir” e os dramas psicológicos

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História, Cinema
  


Já comentamos aqui no blog sobre o cinema "noir".

De um modo geral, as mulheres que ambientaram os filmes “Noir” desempenhavam nos enredos personagens que sempre foram muito marcantes. Assim, apesar de serem protagonistas destes “filmes negros”, faziam habitualmente par com uma figura masculina que normalmente era um sujeito misterioso, podiam estar ligadas a um criminoso ou a um homem psicologicamente complicado.

O certo é que sem a presença de um homem para povoar os enredos não existiria o tipo femme fatale dos “filmes negros” que tanto marcaram a história do cinema. Todas essas mulheres representavam personagens importantes na trama dos grandes filmes “Noir”, com a grande maioria delas sendo vítimas de histórias de sofrimentos.

Em “Alma em Suplicio” (1945), “Os Maus não Choram” (1952) e “Medo Súbito” (1952) a grande atriz Joan Crawford atuava como uma mulher que vivia suportando infelicidades e permanentes traições, mas suas personagens eram criadas exatamente para demonstrar tais dores nas histórias. Alma em Suplicio” (Mildred Pierce) foi recentemente adaptado pela HBO em uma série, com a talentosa Kate Winslet no papel principal.

 

Joan Crawford em Alma em Suplicio” (Mildred Pierce), um filme que é considerado superior ao livro que lhe deu origem. A história é emoldurada pelo questionamento de Mildred pela polícia, depois que eles descobrem o corpo de seu segundo marido, Monte Beragon.


Em “Gardênia Azul” (1953), de Fritz Lang, e em “Acusada” (1949), naqueles enredos, as mulheres se defendem ferindo mortalmente um incrível predador sexual. No filme “À Meia Luz” (1944),  Ingrid Bergman, e ainda no filme “Águas Tenebrosas” (1946), Leslie Calvin, desempenham personagens que eram mentalmente perturbadas e vítimas de ataques psicológicos.



Ingrid Bergman em "À Meia Luz"(Gaslight) de 1944. A bela e ingênua Paula Alquist (Ingrid Bergman) conhece o vivido Gregory Anton (Charles Boyer) e, após um curto namoro, se casam eles. O casal se muda para a casa de uma tia de Paula, que foi morta misteriosamente.


No filme “Angústia”, talvez tenha a demonstração mais significativa de uma personagem central que é literalmente drogada, raptada e forçada a assumir outra identidade. No surpreendente filme “Nenhum Homem era Dela”, temos um enredo totalmente inverso, no qual uma mulher absolutamente indigente assume o papel de fingir ser uma mulher rica.

Ao nível filosófico, os anos 1930 e princípios dos anos 1940, vimos tanto o existencialismo e a psicologia freudiana invadir a literatura americana, os principais jornais e revistas da época. Todas estas tendências ajudaram a promover uma visão geral em que a ênfase do absurdo da existência, juntamente com a importância do passado individual, foi determinante. Isto representou uma audiência muito receptiva, num momento histórico bastante desanimador e destruído, pelos efeitos de uma depressão econômica que era recente e depois por uma guerra mundial.

Os dois temas mais importantes do movimento “Noir” sempre foram histórias de passados sombrios e o pesadelo fatalista, sempre com mulheres pintando histórias sombrias.     

 
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03/09/2013

Marlon Brando, a face oculta do “poderoso” namorador.

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

 

Marlon Brando como o inesquecícel Don Corleone em "O Poderoso Chefão"

Seguramente, Marlon Brando é um dos grandes nomes da história do cinema. Quem não se lembra do seu no magistral Don Corleone, em “O Poderoso Chefão”? Simplesmente maravilhoso e inesquecível no papel e, enquanto jovem, foi sempre considerado o “bonitão do pedaço”.

Dizia-se que ele tinha um fascínio por mulheres de belezas exóticas. Há sobre isto, no entanto, passagens absolutamente curiosas sobre sua vida afetiva.

Um dos trechos mais impressionantes de sua vida foi durante a filmagem do filme “A Face Oculta”, o único filme dirigido por ele próprio. Foi um western, em que sua criação durou cerca de quase quatro anos, desde a pré-produção até a conclusão final. O filme não é tão especial, mas neste tempo de produção do filme o que chama mesmo a atenção foi a grande quantidade de casos amorosos que ele teve durante a filmagem.

Logo no início das filmagens, em 1957, Brando desfez seu caso com Rita Moreno, uma porto-riquenha que tentou suicidar-se aos saber que Brando tinha se casado com Anna Kashfi. Ele se apaixonou por Anna pensando que ela era uma exótica indiana, mas que, na verdade, era do País de Gales. Brando não gostou de saber que Anna não era exatamente a autêntica indiana que acreditou ser e sem considerá-la depois uma beleza exótica, engata um namoro como uma eurasiana de verdade, a bela France Nuyen.


Marlon Brando e a porto-riquenha Rita Moreno



Marlon Brando e sua primeira esposa, a falsa indiana Anna Kashfi



Brando e France Nuyen


Com todos os retardos do roteiro e produção do filme, o mesmo só começa a ser rodado em 1958, com direção de Stanley Kubrick. Em 1959, Brando dispensa Stanley Kubrick e assume a direção.

Depois desses contratempos, é quando Brando conhece uma promissora atriz mexicana de 20 anos, a jovem Pina Pellicer, que participa da produção “A Face Oculta”. Começa a namorá-la, iludindo a garota. Não resiste e reata logo em seguida com a atriz Movita Castaneda, um dos seus casos amorosos antigo. Ele se divorcia de Anna Kashfi e se casa com Movita, bem mais velha do que ele. As audiências desta separação dariam, por si só, outro filme em paralelo, tantas eram as brigas dessas crônicas rápidas de “casa” e “separa”.


A mexicana Pina Pellicer e Brando



A segunda esposa Movita Castaneda e Marlon Brando

No entanto, para a jovem mexicana Pina Pellicer, a história entre eles não era somente uma simples aventura, conta-se que ela se apaixonou por ele de verdade.

O filme está, então, finalizado, mas mesmo assim resolvem mudar o final. Em 1960 o estúdio resolve refilmar às cenas finais, reunindo novamente Brando e Pellicer. Para Pellicer, o final vai reproduzir exatamente a sua vida real, era uma despedida de fato, pois Brando já engravidara Movita.

Do tempo da refilmagem do final do filme e da estreia do mesmo, Brando vai ao Taiti e conhece uma linda nativa chamada Tarita (nascida em Bora-Bora), levando Pellicer a sua última fronteira do desespero e depressão.

A Face Oculta” estrearia em 1961, quando Brando já morava numa ilha com Tarita Teriipia, largando agora também Movita. Pina Pellicer comete um suicídio que chocou o cinema. Diz-se que ela, na verdade, nunca se recuperou emocionalmente de seu caso com Brando, mesmo com parte da família negando que isto tenha sido o motivo de sua morte.


Marlon Brando e Tarita Teriipia, sua terceira esposa


O fato é que muitos acusaram Brando pela morte de Pellicer. Morreu, assim, uma artista que esteve no auge de sua carreira, muito nova, que aparece no filme “A Face Oculta” com notável desempenho, rosto angelical e que chegou a ser comparada como uma futura Audrey Hepburn, mesmo que seja uma comparação de enorme exagero.

O filme, no entanto, é um tremendo fracasso de bilheteria. Anos depois, a crítica chega a elogiar o filme, enxergando algumas qualidades na direção de Brando. No entanto, ele mesmo desiste de dirigir filmes. 

 
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30/08/2013

"O que terá acontecido a Baby Jane?"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Cartaz do filme "O que terá acontecido a Baby Jane?"

O cinema está repleto de curiosidades sobre a vida das grandes estrelas e neste filme, seguramente, acontece um dos maiores encontros de desempenho de duas grandes artistas. A aparente falta de beleza física de Bette Davis e Joan Crawford sempre foi compensada por suas magníficas atuações de frente das câmaras. Inimigas declaradas, elas trabalharam juntas uma única vez, exatamente neste filme, cheio de maldades.

Bette Davis ficou conhecida, além de sua magistral carreira, por sua língua ferina. Falava cobras e lagartos sobre sua maior rival. Na verdade, Joan Crawford era dona de uma reputação um tanto questionável sobre sua vida pessoal. Bette Davis chegou a referir-se sobre a vida da sua oponente, com o seguinte comentário: “Ela dormiu com todos os atores da MGM, exceto Lassie”.

O que chama atenção neste filme é o duelo destas esplendorosas artistas em seus papéis de duas irmãs.



Davis e Crawford em cena



Davis e Crawford em cena


Independentemente da imagem que ficou entre as duas e o fato que Bette Davis sempre foi muito ácida em seus comentários sobre a vida de Crawford, quem na verdade mais denegriu a imagem de Crawford, depois de sua morte, foi a sua própria filha Christina, com a publicação de seu livro “Mommie Dearest”. Nele, o mito da estrela vai totalmente por água abaixo, retratando uma Crawford como se uma péssima mãe, cruel, egoísta, amarga e impiedosa.

Mas, na sequência, Madame Davis também acabou passando por istotendo sido exposta em um livro escandaloso de autoria também de sua filha Barbara, em 1985, “My Mothers Keeper”. Parece ter tido o mesmo destino de sua rival e no caso dela, ainda pior, porque viu isto em vida.


Joan Crawford e a filha Christina



Bette Davis e a filha Barbara.


Não que este seja necessariamente um grande filme ou que possa estar na lista dos grandes filmes da história do cinema. A trama criada pelo diretor Robert Aldrich é de um thriller sobre uma veterana atriz de teatro que conheceu a vida artística na infância e agora inicia um reinado psicótico e doentio de terror sobre sua irmã, ex-rainha do cinema dos anos 30 e que hoje está presa num cadeira de rodas.

O que é mesmo interessante é que neste filme estão duelando, dramaticamente no desempenho de seus personagens, dois monstros de interpretação do cinema e que eram inimigas declaradas, tudo sob o pano de fundo de roteiro excelente.

Aldrich pediu ajuda a Hollywood para filmar este filme e o que ele ouviu foi que ninguém daria um centavo para um projeto com aquelas duas artistas desempenhando duas velhas e grosseiras. O que aconteceu foi que este chocante filme converteu-se num filme de grande sucesso, basicamente pela rivalidade das grandes artistas. E nele, Davis recebeu a décima indicação de sua carreira pelo personagem grotesco no filme.

Sou fã da incomparável Bette Davis, a dama das grandes interpretações do cinema. 

Vale a pena ver a sua estridente risada neste filme, abrindo seu saco de maldades no enredo!

 
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