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29/08/2013

"Argo" gera questionamentos e críticas no Irã

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História, Cinema
  

Cartaz de "Argo"


Ainda não tinha tido a oportunidade de assistir "Argo", ganhador do Oscar de melhor filme de 2012. 

Depois de ter assistido ao filme e não ter me encantado muito para achá-lo merecedor do prêmio, por achá-lo muito comum, fui na internet buscar a repercussão da participação da primeira-dama estadunidense Michelle Obama na premiação. Deparei-me com este artigo da Opera Mundi que me convenceu ainda mais do meu pensamento:

O anúncio da vitória do Oscar de melhor filme de 2012 para "Argo", de Ben Affleck, realizado pela primeira-dama Michelle Obama, gerou forte repercussão no Irã. As agências de informação locais classificaram o filme de “distorção da história” e a participação da esposa de Barack Obama de “politização dos prêmios”.



Michelle Obama anuncia o ganhador "Argo" diretamente da Casa Branca


"Argoé uma história de ficção baseada em fatos reais que relata o resgate de seis funcionários da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã em 1980, logo no início da Revolução Islâmica no país.

A agência Mehr afirmou que "o Oscar mais político" foi concedido para "um filme anti-Irã" e acrescentou que o fato de Michelle Obama ter feito o anúncio foi um claro indício da politização dos prêmios. Com este Oscar, "Hollywood sacrifica o cinema artístico e de qualidade para premiar as palavras políticas de ordem e a distorção da realidade", disse a Mehr, que destacou outro filme indicado, "Lincoln", de Steven Spielberg, como merecedor do prêmio de melhor filme. A agência estudantil iraniana "Isna" afirmou que "Argo" é um filme que "distorce a história" e o classificou como "político". Segundo a Isna, Hollywood "tenta colocar um filme vulgar no mesmo nível das melhores obras do cinema" com esta premiação.

Já o cineasta iraniano Behruz Afjami, em comentários divulgados pela Mehr, afirmou que "Argo" foi produzido "com fins propagandísticos" e que o fato de ter ganhado o Oscar de melhor filme "é o maior golpe contra o prestígio da Academia de Hollywood". No site do jornal "Aftab", outro cineasta local, Sirus Alvand, disse: " 'Argo' não merecia o Oscar; se não fosse pelo tema, sua produção não o mereceria por nada".

A fita dirigida e protagonizada por Ben Affleck é um drama político sobre o rocambolesco resgate de seis funcionários da Embaixada dos Estados Unidos em Teerã em 1980, durante o episódio histórico conhecido como “crise dos reféns”, e também conseguiu os prêmios Oscar de melhor roteiro adaptado e melhor edição. 

Após o triunfo da Revolução Islâmica do Irã, no dia 4 de novembro de 1979 um grupo de estudantes islâmicos, com apoio do regime, ocupou a Embaixada dos EUA em Teerã durante 444 dias, e mantiveram 66 cidadãos americanos como reféns no princípio, dos quais 52 ficaram até o final. Em maio de 1980, Washington rompeu suas relações com Teerã, cujo regime era liderado pelo fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá Khomeini.


Cena de "Argo", com o grupo planejando a fuga



"Argo"real, numa reunião com o presidente Carter na Casa Branca

 
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27/08/2013

"O Mágico de Oz" e sua linda trilha sonora

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Cartaz comemorativo aos setenta anos do filme

O Mágico de Oz (The Wizard of Oz,1939), filme produzido talvez no maior ano de glória da história do cinema, foi dirigido por Victor Fleming para a Metro e conta a história da menina Dorothy e de seu cãozinho Totó, moradores do estado estadunidense do Kansas, que são arrastados por um forte furacão para a Terra de Oz, um lugar de fantasias, onde vão conhecer e ficam amigos de um Leão covarde, um Espantalho e um homem de lata.

É no meio disto que os personagens da trama vão vivenciar muitas aventuras no caminho até a Cidade das Esmeraldas, onde mora o Mágico de Oz, o único capaz de levar Dorothy e Totó de volta para casa.

A trilha sonora do filme é mágica como o nome do próprio filme, é imponente para os padrões da época. É um filme belíssimo e, seguramente, em qualquer relação dos grandes filmes da história do cinema este filme estará incluído como um dos melhores já produzidos, que agrada a todo mundo pela sua simplicidade, encantando-nos desde a sua produção.



Cena do filme "O Mágico de Oz", 1939

Além da estatueta de melhor trilha sonora, o filme arrebatou a de melhor canção original, pela linda canção “Somewhere Over the Rainbow”, que já colocamos aqui no blog a versão original, eternizada na voz de Judy Garland. Recentemente, no programa “The X Factor Usa 2012,” a cantora juvenil Carly Rose Soneclar fez uma apresentação muito original da música. Assista no vídeo abaixo:


 

 
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29/07/2013

"Amor", a crônica da própria vida

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

"Amor", ganhador do Festival de Cannes, Palma de Ouro e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013.

Qualquer definição que se queira dar a este filme ou à direção de Michaael Haneke, seja pelo fato que ele seja polêmico - que ele eventualmente até seja - muito cruel, duro demais ou que mostre este lado da vida do envelhecimento sem nenhuma cerimônia, de uma forma tão implacável. O fato é que se trata de um grande filme.

A atriz Emamanuelle Riva no papel da esposa doente e o magistral Jean-Louis Trintignant estão absolutamente impecáveis na composição de seus personagens. Uma atuação de gala dos dois artistas.

A sinopse do filme talvez seja a crônica da própria vida. Aqui, temos dois personagens interessantes. Georges e Anne que são um casal de aposentados, que costumavam dar aulas de música. O filme desenrola-se num ambiente de um apartamento fechado. É um filme em poucos cômodos, sequer a gente vê uma tomada diferente a não ser o quarto, sala e cozinha.

Eles ainda são pais de uma filha que mora distante. No enredo, Anne sofre um derrame e fica com um lado paralisado. Depois, seu estado de saúde vai se agravando, tem mais outro derrame que a impede de falar. Já não andava. Enfrentar a velhice, fraldas, uma doença, sequelas, limitações físicas é o tema deste casal.

O diretor austríaco Haneke afirmou que o filme emociona porque é uma história que pode acontecer com qualquer família.

Muito curioso e interessante é ainda o plano de abertura do filme.  Ele mostra a plateia de um teatro numa visão inversa, como se a gente que está assistindo o filme visse de frente o cenário de uma plateia assistindo a abertura de um concerto. Você ouve a música, vê a plateia, mas não vê o palco. Muito interessante. Já é o primeiro sinal que você verá um filme diferente, o de talvez retratar com bastante verdade o lado menos visto da vida, que normalmente a gente presta pouca atenção, a própria impermanência da vida.

Um filme de reflexões, verdadeiro, sem muitas palavras, não faz nenhuma concessão de mostrar de forma dura um lado verdadeiro da vida, o nosso processo da finitude. E faz isto sem muito discurso, sem muitas frases, um texto concentrado, sem especulações e considerações espirituais ou religiosas sobre a vida.

É um filme forte, que tem um roteiro e uma condução muito objetiva e firme. Um filme silencioso, com evidências e cenas que por si só falam mais que as próprias palavras.

Na verdade, sobre o fim da vida não tem muitas palavras mesmo. Expressivo e realista. Recomendo. 



O aclamado diretor Michaael Haneke com o prêmio do Festival de Cannes de 2013

 
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12/07/2013

"Perdição por amor", um escândalo para a época.

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Literatura, Cinema
  


Cartaz de "Perdição por amor" ("Carrie"), de 1952.

O que é notável neste filme é ver mais um grande desempenho do excepcional Laurence Olivier. Ele, de fato, é um dos monstros da interpretação cinematográfica. Impressiona sua atuação, junto de Jennifer Jones, inesquecível no filme “Suplício de uma Saudade”, embora especialmente neste filme sua atuação nem chegue perto do grande Olivier.

É uma história impressionantemente trágica. Laurence Olivier representa um típico homem de família, bem posicionado socialmente, com uma situação financeira  estável, uma vida tranquila com seus filhos e esposa, gerindo um grande restaurante respeitável. Enfim, um executivo regiamente remunerado, gozando de grande confiança e respeitabilidade. Apresenta-se bem vestido, diariamente, no desempenho de suas atividades profissionais.

Na trama do filme, ele vai abrir mão de todo esta situação de aparente “estabilidade”, para ir viver isoladamente uma história de enorme paixão, com uma garota que vem do interior para Chicago buscando melhorar de vida e encontrar um emprego. Até este encontro, ela já havia se tornando amante de outro homem nesta cidade grande, que abrigou a desempregada em seu apartamento.



Lawrence Olivier e Jennifer Jones em cena, na escandalosa história de amor.



Lawrence Olivier e Jennifer Jones, protagonistas da trama.


O filme é baseado no romance de Theodore Dreiser. Ele  foi um escritor e ativista político norte-americano. Naquela época, os editores classificavam Dreiser como um autor “imoral demais”. O filme, de certa forma, conta uma história escandalosa, para os padrões de um homem de família naquela década, que larga tudo e vai morar com uma interiorana, sem visibilidade social e sem se casar oficialmente. Uma afronta total.



Primeira edição  do livro, em 1900, já considerada uma obra controversa. Os editores fizeram uma capa que não despertasse muita atenção.


A direção de William Wyler também é impecável. O mestre Wyler talvez seja considerado um dos maiores mestres e condutores dos grandes atores de Hollywood. Mesmo assim, o filme é um dos seus raros fracassos de bilheteria, talvez exatamente por narrar uma história tão incomum e, claramente, pouco comercial.

Na verdade, Laurence foi amigo de Wyler. Eles já haviam trabalhado juntos em o “Morro dos Ventos Uivantes”, e a impressão que se tem, assistindo a trama, é que ninguém faria melhor o papel, do que Olivier neste filme. Muitos dizem que foi Wyler que ensinou a Olivier a ser o grande ator que acabou se transformando ao longo de sua vida. No entanto, com a textura que Laurence Olivier dá ao personagem, deixa a impressão que ele ultrapassa mesmo o que tinha aprendido com Wyler. Ele está soberbo no papel.

Jennifer Jones, dizem os especialistas, foi escolhida porque era esposa do poderoso do produtor David Selznick. Acabou fazendo o papel de Carrie, embora a indicação original para o papel deveria ser dada a Elizabeth Taylor, que foi preterida por ser muito nova e acabou perdendo o papel.

O filme foi duramente rechaçado pela ala conversadora da sociedade americana e talvez explique muito deste fracasso de público. O livro já havia sido um verdadeiro escândalo, na ocasião. Até a capa do livro é sombria, sem nenhum adorno. A crítica sobre este filme sempre foi muito pouco generosa. Se você ler mais sobre o filme, seguramente não vai encontrar ele na lista dos grandes filmes, tendo acumulado sobre si certa intolerância pela sua falta de sucesso. Alguns ainda são severos em criticar o desempenho de Jennifer Jones, afirmando que sua atuação é exageradamente sombria, o que teria deixado o filme ainda mais pesado.  

Outros não perdoam, ainda, o final do filme, dizendo que deveria ter mais impacto. É verdade que ele passa uma sensação de um corte rápido e mal concluído, abruptamente, e sem maior fechamento dos personagens.

Inegavelmente, o tom do filme é bem trágico, sobretudo quando retrata um Laurence Olivier maltrapilho, pedinte, muito distante do personagem original. Ainda é trágico o comportamento da ex-esposa, que com sua influência social é capaz de boicotar toda a sequência da vida do personagem de Olivier.

Críticas à parte, eu recomendo este filme. É um filme muito bom e que já vale a pena, somente para ver o grande Sir Olivier (poucos receberam este título no cinema e na Inglaterra).

 
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