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28/03/2016

"Uma lição de vida": Kimani Maruge

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Pôster do filme "Uma Lição de Vida"

Numa pequena escola fundamental de uma remota montanha no Quênia, centenas de crianças se acotovelam, praticamente sem as mínimas condições de acomodação, por uma chance de ter uma educação gratuita recém-prometida pelo governo do país. 

Um novo candidato causa rebuliço quando bate na porta da escola. Ele é Maruge, um antigo veterano Mau Mau em seus oitenta e poucos anos, que está desesperado para aprender a ler nesse estágio avançado de sua vida. A partir daí, ele é o recordista anciã a querer educação primária.

Esta é a história real de Kimani Maruge. Aparentemente, o cotidiano da vida de Maruge na própria escola não seria tão grandioso para justificar um filme em si, no entanto, todo o contexto da história de seu passado de ter sido um prisioneiro, ser testemunha do fuzilamento de sua esposa e filho, toda a dor da colonização inglesa e, principalmente, sua resistência pessoal participando da história da independência do Quênia impressiona bastante. O filme é absolutamente singelo, com boas tomadas, uma paisagem dura, com cenas que nos trazem importantes reflexões sobre o poder da educação.

O filme é leve em não se aprofundar em demasia na história propriamente da ex-colônia britânica, de 50 anos antes, no entanto é expressivo em demonstrar a luta de um homem, sua  força de superar os fardos das condições cruéis e extremas dos campos de detenção.

De fato, como se diz no filme, “A educação é a chave do cadeado”.

Em entrevista de 2006, Maruge disse à Reuters que ele queria ir para a escola para poder ler a Bíblia e que pararia de estudar apenas se ficasse cego ou morresse. "A liberdade é aprender", disse ele na época.


Cena de "Uma Lição de Vida", com a história da educação de Kimani Maruge

 
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22/03/2016

"Las Horas Contigo", cada minuto conta

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Cartaz do filme "Las Horas Contigo"

Como diz o subtítulo do filme, cada minuto conta. 

Já se disse várias vezes que há filmes que aparentemente tem uma história que é conhecida, ou já foi contada à sua maneira, até sem grandes pretensões cinematográficas, no entanto quando você acaba de vê-los experimenta a sensação de que aquele filme tinha uma originalidade especial, eram diferentes. É o que acontece assim com este filme, “Las horas contigo”.

A gente começa a assistir a um filme que parece não ter maiores pretensões, contando uma história familiar tão comum, exatamente como são todas as famílias com suas diferenças e desencontros e você vai se envolvendo com o enredo, com o desempenho dos personagens e inesperadamente se surpreende com um filme extremamente delicado.

Catalina Aguilar Mastretta nos presenteia com um grande filme. Nele, a personagem Ema tem uma relação de extrema vinculação com sua avó, que praticamente a criou enquanto a mãe dedicava-se à carreira de cantora. No dia em que descobre uma gravidez que lhe traz uma série de dúvidas sobre a sua própria vida pessoal, Ema recebe um telefonema da mãe com a notícia de que a avó pode estar morrendo. Ema larga tudo e vai para casa da avó.

É esta volta para a casa da avó, com a espera pela morte da matriarca da família, o centro da temática do filme, visitando novamente a vida da família que será recontada pelos personagens, com suas mágoas, tudo sendo revisto em alguns diálogos.



Cena de "Las Horas Contigo"


Será a possibilidade de algumas descobertas particulares ocultas por uma ou por outra, de situações determinadas e com relação a passagens específicas da vida desta família. O curioso é que não há nada de espetaculoso no filme, ou até mesmo com o peso de grande dramaticidade nos diálogos sobre a vida e mesmo sobre a morte, é tudo muito delicado. É impossível não se envolver nesta história simples de três mulheres tão especiais de uma família, que, de repente, vão ter que se encontrar com o momento da perda de uma delas.



 Cena de "Las Horas Contigo"

 
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29/01/2015

O premiado filme, "Separados pelo destino"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  

Capa do DVD deste emocionante e recordista filme

Em 1976, a cidade de Tangshan, na China, experimentou um grande terremoto.

O tremor teve duração de vinte e três segundos, mas sua violência devastadora resultou na morte de 240 mil pessoas. Nesse cenário de tristeza e dor, uma família é pega de surpresa quando o pai é morto enquanto tenta resgatar o filho.

Sua esposa é informada pela equipe de resgate que os filhos estão vivos, mas soterrados embaixo de uma laje de concreto e que ela terá que optar pelo salvamento de um dos filhos, somente um deles, pois a remoção da laje fatalmente resultaria num desabamento dos escombros.

A mãe é forçada, então, a tomar a mais difícil decisão de sua vida: escolher quem salvar.  Ela acaba resolvendo salvar o garoto, sem saber se a garotinha gêmea havia realmente morrido, porque todos os sinais davam conta da morte dela.

No entanto, a garota sobrevive, sem ninguém saber, e cada um dos irmãos vai encaminhar suas vidas, cada um da sua forma, mas sem saber que o outro irmão está vivo.


Cena do chinês "Separados pelo Destino"


Em 2008, um novo terremoto atinge a China. Esses  dois  irmãos  e a mãe irão se encontrar e descobrir o traumático passado, depois de mais de 30 anos vividos com esta memória trágica.

Filme muito bom. Emocionante.

 
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27/01/2015

"O segredo dos seus olhos" e a bela voz de Soledadad Villamil

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema, Musica
  

Poster do filme argentino, ganhador do Oscar de 2010 para Melhor Filme Estrangeiro

Para quem aprecia um bom filme estrangeiro, o “Segredo de seus olhos” é uma dica. Os nossos hermanos argentinos costumam estar sempre com a bola toda, pelo menos no cinema, e foi com esse filme que ganharam o segundo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010.

 

A história é boa, roteiro inteligente, montagem bem elaborada alternando presente e passado e os atores são de primeira linha. Se você não tem preconceito em assistir a filmes que não sejam os americanos, cada vez piores, aqui está uma boa oportunidade de se ver um ótimo filme.



Cena de "O segredo de seus olhos", 2009

 

O filme conta a história de um crime ocorrido há 25 anos que marcou a vida e a mente de Benjamin Esposito (Ricardo Darín). Hoje, reformado do departamento da polícia e sem saber muito bem o que fazer aos seus dias vazios, Benjamin é um homem cansado. Para preencher a sua vida com algo mais que solidão, Esposito decide escrever um romance a relatar os eventos que o ligaram a esse crime e como tudo o que ocorreu posteriormente foi alterado por esse trágico acontecimento. Agora, ao relembrar as circunstâncias do que aconteceu, avaliando todos os fatores, todas as causas e todas as consequências, vai descobrir uma maneira de reescrever o passado e, quem sabe, o próprio futuroSimples, com boa música de pano de fundo e cenas com enorme delicadeza. Para embelezar o filme, ainda tem a linda cantora Soledad Villamil, que além de boa artista e excelente atuação no filme, tem uma voz doce cantando alguns tangos.

 

Sugiro ouvi-la cantando “Pero yo se” para quem não conhece sua voz, no vídeo abaixo:



 
 
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