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03/12/2011

Joaquim Nabuco e a República

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  



Uma das passagens mais interessantes da história e da política brasileira é a chegada da República e como Joaquim Nabuco a encarou em relação as suas convicções monárquicas.

Nabuco era um ferrenho monarquista, conciliava essa posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político.

A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que resultaria à sociedade brasileira.

Com a República, em 1889, forçada através de um golpe militar, e a federação, por decreto do novo governo, Nabuco não acreditou exatamente nesta concepção de governo, e, apesar de muito instigado, não aderiu à nova forma republicana.

Preferiu o caminho de participar da fundação de um partido monarquista, formado por líderes do período imperial que se mantiveram fiéis a dinastia destituída.

No ostracismo, ele escreveu parte de sua obra, entre elas Um Estadista do Império e a Minha formação, e só voltou à vida pública quando compreendeu a impossibilidade da restauração da monarquia. Convocado por sua reconhecida inteligência pelo governo republicano, acabou aderindo à República de forma incontestável, mesmo que tenha resistido durante tanto tempo.

O que é lindo nisto tudo é a sua defesa delicada e incisiva à monarquia, sempre bem fundamentada em suas convicções políticas, que ele fez durante toda a sua vida. Uma das passagens mais marcantes é a que deixou registrada no Diário do Commercio, periódico da época, afirmando: Porque continuo a ser monarquista. Ele não se entregou facilmente à sedução da República.



Nabuco acreditava que as monarquias tinham interesse sim em alternar os partidos, em conservar o poder de fiscalização livre no país e, contrariamente, o interesse dos governos republicanos, declaradamente, eram perpetuar-se no poder.

Dizia ele, que a nossa monarquia tropical era singular, porque não tinha conteúdo militar, nem clerical, nem aristocrático e por isso foi derrubada pelo exército.

O grande Darcy Ribeiro disse:

“Eis o nosso grande Joaquim Nabuco, monarquista de ideias e convicções profundas, mesmo após o 15 de novembro, aqui convertido”.

“A sabedoria e o amadurecimento em dez anos de reflexões, levaram-no a considerar a República como a forma inevitável de governo para o Brasil, a vocação histórica e necessária das nações da América”.

(ANDRADE, Manuel Correia. Joaquim Nabuco – A abolição e a República)



 
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29/11/2011

#CineLista: A Felicidade não se compra

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Quando tivemos a ideia de criar um blog, o nosso objetivo principal era de dividir com vocês as nossas maiores paixões. Dentre delas está, com certeza, o cinema.

Por esse motivo, hoje iniciamos uma nova série no blog: #CineLista. Serão várias dicas de filmes que, na minha opinião, precisam ser vistos e apreciados por todos. Se você é daqueles que ainda não tem muita simpatia por filmes antigos, esses filmes que recomendarei são uma maravilhosa porta de entrada para esse mundo encantador do cinema clássico. No entanto, se você for como eu - um declarado apaixonado por cinema - vai embarcar comigo na lembrança de filmes simplesmente inesquecíveis!

Vamos começar?

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA  





Este eu recomendo. Está na minha lista dos melhores filmes de todos os tempos!

Você já assistiu a este filme? Não? Ninguém pode deixar de assistir este que é um dos maiores filmes da história do cinema. Imperdível! A história é super simples, mas é daquelas que a gente não esquece mais.. Impossível também não se emocionar com a direção de Capra, o mago em construir grandes fábulas.


SINOPSE:


Na pequena cidade de Bedford Falls, no Natal, George Bailey (James Stewart), que sempre ajudou a todos de sua comunidade, depois de alguns eventos desencontrados em razão das maquinações de Henry Potter (Lionel Barrymore), o homem mais rico da região, decide pôr fim a sua vida saltando de uma ponte. Naquela noite, Clarence (Henry Travers), um anjo que espera há 220 anos para ganhar asas, é então mandado a Terra para tentar fazer George mudar de ideia, demonstrando sua importância na vida de todos de Bedford Falls através de flashbacks. Assim, ele vai descobrindo como seria o mundo sem ele...



Na época de seu lançamento, este filme nem fez muito sucesso. Hoje, no entanto, é uma verdadeira mensagem para o final do ano, principalmente nesta época de Natal.

Frank Capra foi um gênio incomparável na arte de fazer fábulas grandiosas e, inegavelmente, é um dos maiores diretores que já existiu. Comparado aos filmes deste diretor, o cinema atual literalmente morreu. Em certa ocasião, Steven Spielberg, disse que este era um dos seus filmes preferidos e que ele o revia sempre antes de iniciar um novo trabalho. 



Título original:  It's a Wonderful Life

Lançamento:  1946 (EUA)

Direção:  Frank Capra

Atores:  James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell e Henry Travers.

 
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28/11/2011

Um caso de amor e amizade: D. Pedro II e Luísa

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  




A história está repleta de histórias de amores nas cortes imperiais. Talvez uma das curiosas tenha sido a do nosso discreto Dom Pedro II, seguramente um dos maiores homens públicos.

No Brasil, com a chegada da Família Real, no século XIX, o país se tornou efervescente. Aportou aqui muita gente, e, com eles, alguns casos de amores... Alguns, absolutamente escandalosos e não foram poucos os que eram abertos para todo mundo ver; outros, mais discretos e escondidos.

Conta-se, por exemplo, que Dom João VI, um homem inteligente e que de fato representa tanto da afirmação do próprio país em nossa história imperial, era talvez mais preocupado em seu paladar e bons pratos do que exatamente na relação com sua complicada esposa. Ele, inclusive, fingia não ouvir as fofocas palacianas sobre o comportamento de Dona Carlota Joaquina e seus amantes, chegando a nomear um deles como Diretor do Banco do Brasil.

Seu filho, o Imperador Dom Pedro I, era, seguramente, o amante declarado das cortes. Sua vida amorosa foi movimentada: homem de muitas amantes, dizem que com vários filhos bastardos, envolvendo-se com qualquer tipo de mulher e chegando a ter um caso com a irmã de uma de suas amantes, imaginem! O galante Imperador não tinha limites.

Já Dom Pedro II, tímido, introspectivo e discreto, tinha comportamento mais recatado. Assumiu o trono muito jovem e ao se casar sentiu-se desapontado. Mostraram-lhe uma pintura de uma linda morena de Nápoles, que em seguida não fez jus a essa descrição. Mesmo assim, foi conduzido a casar-se com Tereza Cristina que era feia e manca, conta a história.

Mas, de alguma forma, ele honrou a sua vida palaciana e foi com ela que esteve quase toda a sua vida, sobretudo por um fato marcante: com a Imperatriz Teresa Cristina, a verdadeira caridade sentou-se no trono brasileiro. Nos 46 anos que esteve no Brasil, Dona Tereza Cristina representou o protótipo de virtudes cristãs, mesmo que sua atuação seja quase invisível na história brasileira, e ressalte-se, injustamente. Coube a ela o título de “a mãe dos brasileiros” e a imagem de uma mulher extremamente virtuosa era consenso unânime. 

Quando Dom Pedro II tinha 31 anos, ele conhece Luísa Margarida, a Condessa de Barral, mulher mais velha do que ele cerca de nove anos e por quem perdidamente se apaixonou. Segundo historiadores, foi o grande amor de sua vida. Ao longo dos anos, mostrou-se que o caso de  Dom Pedro II era mais do que uma simples paixão passageira: converteu-se em confiança, respeito, admiração intelectual e amor, pelo que se pode concluir pelas suas cartas à Condessa. E imaginem: eles mantiveram um romance por 34 anos, a maior parte dele por cartas, que ambos combinaram em destruir. Dom Pedro II cumpriu a promessa e destruiu todas as cartas recebidas de sua Condessa. Luísa, contrariamente, guardou algumas delas e é exatamente através dessas correspondências secretas que boa parte da história está sendo contada, recentemente. Conforme relatos da escritora Del Priori, o casal se encontrava, às escondidas, em Petrópolis, onde Luísa havia alugado um chalé, e no Rio, no Palácio de São Cristóvão, onde morava o Imperador. Diários encontrados referem-se ainda a uma viagem que o Imperador e a Condessa teriam feito juntos à Grécia.

Dom Pedro II encantou-se com a figura de Barral: de beleza rara, educada, elegante, magra, vestia-se bem e seguia a moda francesa. Conta-se que ela mandava e desmandava no Imperador, mas que não o influenciava em suas decisões de governante e monarca. Reconhecidamente, ela muito ajudou Dom Pedro II no seu traquejo social, nas cerimônias do Palácio e em seu comportamento na corte. Como ele era um homem simples, Barral o ensinava a portar-se à mesa, a limpar as unhas e etiqueta para não cometer gafes. A Condessa, atualizado pelo tempo que morou na Europa, partilhava informações sobre arte, livros, teatro e cultura geral.

Aparentemente, o marido de Barral nunca se posicionou sobre seu romance com Dom Pedro II. Como preceptora das filhas do Imperador, a Condessa recebia muitos convites para bailes, mas estava sempre desacompanhada. Quando as princesas casaram, Luísa volta para a Europa, e, assim, começam as trocas de correspondências com o Imperador.

Com a Proclamação da República, a Família Imperial exila-se na França. Dom Pedro II reencontra a Condessa.  O Imperador lhe escrevia poesias e cartas confidentes, colhia flores e deixava na porta de seu quarto. 

Luísa vem a falecer de pneumonia cerca de dois anos depois, e ele, logo em seguida, com complicações de sua diabetes.



 
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24/11/2011

Curiosidades sobre cinema: o ano de 1939

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  




Você gosta de verdade de cinema? Dos autênticos bons filmes?

Se eu mesmo pudesse escolher apenas um ano para definir o que de melhor foi produzido no cinema, inegavelmente seria o ano de 1939. No entanto, não só eu escolheria este ano, a maioria dos especialistas na sétima arte também fizeram isto.

Há sete décadas o cinema estreava produções que iriam marcar para sempre a sétima arte. Foi uma safra de ouro, com destaque em todos os gêneros de filmes, consagrando diretores e artistas. Nesta época, acredite, já havia quase 18.000 salas de cinemas nos Estados Unidos, a entrada era módica (algo em torno de US$ 0,25), o mundo estava em guerra, mas o público estava cada vez mais fascinado por esta forma de entretenimento.

A Segunda Guerra Mundial começava naquele ano, mesmo que os EUA só tenham entrado nela em 1941. As economias recuperavam-se, de alguma forma, ainda dos efeitos devastadores da crise originária em 1929, com o crash da bolsa e Hollywood investia em grandes produções cinematográficas. Mesmo que, aparentemente, pudesse até ser um tempo sombrio ou de incertezas, o cinema surge como algo verdadeiramente mágico.

Colorizava-se essa ideia de grandes filmes, as estreias eram super badaladas com a presença dos grandes astros, que, muitas vezes, se apresentavam antes das sessões de lançamento, em tardes e noites glamourosas. 

O que aconteceu naqueles dias foi um conjunto de coincidências que culminaram para que aquele ano fosse singular na história do cinema, fazendo, assim, 1939 como o ano das maiores produções. Eis que surgem: ... E o Vento Levou; Adeus Mr. Chips; O Mágico de Oz; Meu Reino por um Amor; A Mulher faz o Homem; Ninotchka; O Morro dos Ventos Uivantes; No Tempo das Diligências; Vitória Amarga; para não falar de tantos outros...

Para não glamorizarmos apenas a grandiosidade de alguns filmes em especial, basta identificarmos um dado inimaginável: foram cerca de 483 produções lançadas naquele ano, e não faltavam os grandes astros, Clark Gable, Joan Crawford, Bette Davis, Greta Garbo, Mickey Rooney, Shirley Temple, o gigante Laurence Olivier, Tyrone Power disputando as bilheterias e rendendo algo em torno de US$ 659.000.000,00.

Entre os grandes filmes, o mais cultuado sem dúvida é... E o Vento Levou, com direção de Victor Fleming. Os direitos sobre a obra de Margaret Mitchell foram comprados por apenas US$ 50.000,00 para a adaptação, imaginem! E quem não se lembra das cenas coloridas e não sentiu dor ao ver a pequena Bonnie (papel interpretado pela atriz Cammie King) caindo do pônei. Não há como esquecer Scarlett O’Hara rolando na escadaria ou as cenas do pôr-do-sol em Tara. O filme é todo irretócavel.

O livro já era um sucesso absoluto e a sua estreia nas telas foi esperada ansiosamente pelo público, que, após longo período de espera, pôde ver em technicolor o cultuado astro Clark Gable, ao lado da praticamente desconhecida Vivien Leigh.

O filme teve tantas dificuldades para ser levado a efeito: confusões de bastidores envolvendo Gable e o diretor inicial George Cukor e a posterior substituição de Cukor por Fleming. Porém, nada deteve a beleza de um resultado magnífico, e, ao final, o que se viu foram três horas e quarenta e dois minutos de um filme premiado com os Oscars de Melhor Filme, Direção, Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (a maravilhosa Hattie McDaniel e sua anágua vermelha), Roteiro Adaptado, Fotografia em Cores, Cenografia e Montagem. Prêmios merecidos para cenas inesquecíveis.

E não pára por ai. Havia ainda outros espetáculos naquele ano: O Mágico de Oz, também assinado por Victor Fleming. Podia parecer perigoso investir-se em duas super produções em um único ano, não fosse o Estúdio MGM, que poderia arriscar tudo, com suas tantas estrelas, como de um céu inspirado.

Desta forma, a história infantil mágica também foi às telas com Judy Garland ganhando o papel de Dorothy, a menininha do Kansas. Shirley Temple foi até cogitada para o papel, mas a Paramount não cedeu o seu maior trunfo para a MGM, fazendo com que o papel voltasse às mãos de Garland.

A personagem acabou sendo o grande trunfo da carreira da jovem atriz e ela rodou os Estados Unidos em apresentações que aconteciam antes das sessões, rendendo mais circulação de dinheiro para a audaciosa MGM. Depois disto, é impossível imaginar "Somewhere Over the Rainbow" fora do filme ou na voz de alguém que não fosse Judy.

Uma coisa é certa: para 1939 tudo era possível. Não havia limites para ousadia, foi o ano em que Greta Garbo falou (Ufa! Finalmente) e riu também - para quem aparecia tão linda, mas silenciosa. Em Ninotchka, uma comédia romântica assinada por Billy Wilder, a eterna diva recebeu inclusive uma indicação ao Oscar. Neste ano, inclusive, ainda se tinha outra grande atriz, Bette Davis em Vitória Amarga.

E, assim, se escreveu o ano mágico que mudou a história do cinema. Talvez a grande contribuição daqueles dias fosse mesmo a de firmar a arte do cinema, de forma mais difundida e ganhasse, definitivamente, um lugar de destaque na vida de seus espectadores mais fiéis. A crítica cinematográfica reconhece ser este o ano glorioso de criação de Hollywood.

Para quem gosta verdadeiramente de cinema, o ano de 1939 ainda não acabou. Passa-se o tempo, a gente assiste a estes filmes novamente e ainda se surpreende que eles sejam melhores do que da última vez que o vimos, como se o vento não tivesse conseguido levá-los.

 
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