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16/11/2011

Destino das Empresas Familiares

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Administração, Contabilidade, Perfil
  


Na próxima edição da Revista Negócios PE (http://www.revistanegociospe.com.br/), fomos convidados a contribuir com um breve artigo sobre os desafios que são encontrados para e nas empresas familiares. Confiram abaixo e vamos trocar algumas ideias:

Percebida pela lente ampliada do mercado, enredada por compulsivas competições, ou ainda vista pelo lugar geográfico comum que lhe reserva as legislações aplicáveis, uma empresa familiar é como qualquer organização, não lhe sendo distinguido qualquer tratamento diferenciado. E é assim mesmo que ela deve ser percebida, pois enfrentam os desafios gerais de forças e adaptabilidades a cenários econômicos desfavoráveis ou instáveis às iniciativas do empreendorismo. 

O dilema mais conhecido é o enfrentamento com o ambiente interno (pontos fortes e pontos fracos) e o mundo externo (potencialidades e ameaças). Mas, afinal, onde estão as singularidades destas instituições, quais os fatores que as diferenciam? É o seu enorme signo de emocionalidades. É nesta voltagem de emoções interiores que uma empresa familiar pode ser diferenciada, estimulando forças agregadoras ou destrutivas. 

Um sistema empresarial é um campo aberto de interações, capaz de influenciar e ser influenciada pelo seu ambiente, concebido por objetividades, racionalidades, resultados, expertises, e, sendo assim, é um sistema lógico (pelo menos deveria ser). Ao lado disto, nem sempre o sistema familiar tem as mesmas inspirações: pode ser um ambiente subjetivo, acadêmico, emocional, repleto de afetos, conflitos e até de passionalidades em alguns casos. Toda as suas forças latentes podem transformar-se em ativos possibilitadores, ou, contrariamente, em carga de passivos, inibindo até a possibilidade da sua perdurabilidade. 

Pernambuco, por exemplo, tem grandes exemplos de mortalidade destas empresas. Instituições que não construíram valores duráveis. Quantas empresas tradicionais dominaram a cena econômica local e foram engolidas na teia do desentendimento familiar? As dificuldades normais que empresas carregam em si mesmo já são relevantes, mas tantas são arrastadas pelo mal assentamento de convivência sadia entre família-empresa-propriedade, vértices fundamentais de toda organização. O receituário tradicional para as empresas parece ainda ser recorrente. Temos falado, na melhor literatura especializada sobre governança corporativa, preparo da sucessão, em habilitar os gestores da família, da profissionalização da empresa e até da afirmação de bons contratos sociais incentivadores da melhor harmonia de tais instituições. 

Mesmo que se reconheçam o valor de tais instrumentos, a experiência prática aponta que as famílias, adicionalmente, desejam intervenções mais incisivas, com aplicação de remédios com profilaxia de espectro maior. Clamam por pactos parassociais, formalizados com conteúdo de serem autênticos “protocolos de entendimento familiar”, capazes de cuidar dessa teoria dos jogos nas convivências interpessoais de seus membros. São pactos complementares, revestidos de formalidades obrigacionais, definindo princípios ideológicos da família e da empresa, a zelar pela perpetuidade da instituição, do comportamento de seus membros, das orientações de segurança do patrimônio, da determinação dos nítidos princípios, credos e valores familiares, entre outros. Este parece ser o melhor destino das empresas familiares: aprimorarem competências operacionais e de gestão, mas cuidadosamente fundar os valores disciplinadores das convivências. Delimitar as competências de cada um dos órgãos de governo, da empresa e também da família, e, principalmente, o papel dos pactos parassociais (acordos de acionistas e/ou quotistas e ainda o Protocolo da Família) parece ser o bom caminho de durabilidade segura das empresas. Os acordos parassociais objetivam retirar das empresas as incertezas dos desejos, das convivências e das ações de seus membros. Onde essas incertezas predominam, costuma não haver lugar para a confiança pessoal e societária, nas sábias palavras de Dr. Luiz Octávio Cavalcanti, que honrou-me prefaciando meu livro “Empresas & Famílias”.

 
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