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26/01/2015

"Os Girassóis da Rússia", 1970

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Poster do filme "Os Girassóis da Rússia"

Quando termina a Segunda Guerra Mundial, Giovanna (Sophia Loren) não consegue aceitar que seu marido (Marcello Mastroianni) tenha morrido em combate na Rússia. Então, ela decide viajar atrás de seu paradeiro, passando por cidades e campos de girassóis. Quando enfim ela o encontra, percebe que algo mudou na relação entre eles. 

De acordo com o "Bloomsbury Foreign Film Guide", este foi o primeiro filme italiano filmado em sua maior parte na Rússia. E, por isso, também é considerado como o primeiro filme "ocidental" rodado na Rússia.

A música é maravilhosa, o suficiente para não se esquecer do filme. A bela Sophia Loren no papel de Giovanna tem uma atuação marcante, sempre atuando bem com seu par constante no cinema, Marcelo Mastroianni. 


Cena de "Os Girassóis da Rússia", com a dupla Sophia e Mastroianni



Sophia Loren, maravilhosa como Giovanna


É uma das mais belas histórias de amor do cinema. Dirigido pelo mestre Vittorio De Sica trata-se de um clássico romântico que se tornou um dos maiores sucessos da dupla Sophia-Mastroianni. Emocione-se com a linda fotografia do grande Giuseppe Rotunno e com a música inesquecível de Henry Mancini.

É um filme indispensável para se guardar na memória.

 
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26/01/2015

"Em Segredo", versão no cinema do romance "Thérèse Raquin"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Literatura, Cinema
  


Poster do filme "Em Segredo", adaptação do romance de Émile Zola

É um filme baseado no aclamado romance “Thérèse Raquin (1867), romance do escritor francês Émile Zola, considerada a obra inaugural do naturalismo literário. Ao ser publicada, foi severamente repudiada pela crítica literária especializada.

Entretanto, o escândalo provocado por “Thérèse Raquin” entre os críticos trouxe um resultado que acabou sendo inesperado: serviu de propaganda aos ideais naturalistas do romance, colocando a recém-nascida escola literária em voga.

Sob esse pretexto, a obra obteve uma nova edição no ano seguinte, acompanhada por um prefácio, no qual Zola defende as máximas do naturalismo literário pela necessidade de realizar uma análise científica minuciosa da alma humana, sem idealizações morais. Dessa maneira, nas palavras do próprio Zola, cada capítulo constitui o estudo de um caso curioso de fisiologia.

O filme, além de tudo, tem o trabalho monumental de Jessica Lange, incorporando com excelente atuação o papel de Madame Raquin.

A história centra-se basicamente num caso de adultério que envolve três personagens, Camille, Thérèse e Laurent.  Na cidade de Paris do século XIX, a jovem Thérèse Raquin é forçada pela tia a se casar com o primo Camille, um homem indiferente que não mostra o menor interesse nela. Thérèse passa a viver uma vida monótona, até conhecer um amigo do marido, Laurent, e ter um caso com ele. Mas a paixão entre os dois jamais poderia ser assumida publicamente, a não ser que Camille não existisse mais. Assim, os dois apaixonados planejam o crime perfeito.

O clima de morte permeia toda narrativa.

“Thérèse Raquin”, de Émile Zola, é uma obra mais do que obrigatória. A dica de leitura vale também para aqueles que gostam de um bom clássico da literatura francesa. 

 
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13/08/2014

Um grande filme: "A Paixão de Cristo"

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro
  


Misturar cinema e religião sempre foi um grande desafio e, inevitavelmente, sempre gerou na história do cinema diversas interpretações, umas muitas boas e outras mais severas. Muitos filmes hollywoodianos, nesta direção de discutir temas religiosos, foram, inclusive, considerados controversos, pairando dúvidas se representam com fidelidade as escrituras sagradas.

Com o ator, diretor e produtor Mel Gibson não foi diferente. O filme conta as últimas 12 horas da vida de Jesus de Nazaré, interpretado por Jim Caviezel.

No meio da noite, Jesus é traído por Judas (Luca Lionello) e é preso por soldados no Monte das Oliveiras, sob o comando de religiosos hebreus, que eram liderados por Caifás (Matti Sbraglia). Após ser severamente espancado pelos seus captores, Jesus é entregue para o governador romano na Judéia, Poncio Pilatos (Hristo Shopov), pois só ele poderia ordenar a pena de morte para Jesus. Pilatos não entende o que aquele homem possa ter feito de tão horrível para pedirem a pena máxima e eram os hebreus que pediam isto. Pilatos tenta passar a decisão para Herodes (Luca de Domenicis), governador da Galileia, pois Jesus era de lá. Herodes também não encontra nada que incrimine Jesus e o assunto volta para Pilatos, que vai perdendo o controle da situação enquanto boa parte da população pede que Jesus seja crucificado. Tentando acalmar o povo e a província, que detesta, Pilatos vai cedendo sob os olhares incriminadores de Claudia (Claudia Gerini), sua mulher, que considera Jesus um santo.

Daí para frente todo o filme é forte demais, mas é considerado o retrato mais fiel e doloroso baseado nas escrituras sagradas e na Bíblia, mostrando de forma crua o sofrimento de Jesus, com a toda a brutalidade, violência e crueldade em cena no filme. De fato, as cenas são muito fortes.

E sendo assim o filme A Paixão de Cristo causou de fato muita polêmica. Quando a Icon Productions, empresa de Gibson, anunciou a temática do filme e ainda que ele seria todo falado em latim, em aramaico e hebraico, muitos o chamaram de louco. O mercado americano não é simpático a filmes legendados e esta é exatamente uma das maiores originalidades do filme, o que lhe reveste de especialidade, entre outras tantas qualidades.



Jim Caviezel numa impressionante atuação e o diretor Mel Gibson


O papa João Paulo II foi um dos que se impressionou com o filme, e sua aparente aprovação, conta-se, alegrou muito Gibson, já que se tratava do Chefe da Igreja Católica Romana. O filme carrega uma série de imagens baseadas nos Evangelhos que servem para aprofundar a compreensão de toda a realidade e o mistério que a envolve. 



Cena de "A Paixão de Cristo"


Um bom comentário sobre o filme é o da escritora Ana Carolina Garcia em seu interessante livro “A fantástica fábrica de filmes”, quando define sua visão muito apropriada sobre este filme:

“Tanto sofrimento foi recompensado. Mesmo sendo desprezado pelas principais premiações e pelos grandes estúdios, a megaprodução de U$ 30 milhões, financiada pelo próprio Gibson, é um dos melhores filmes de 2004 e rendeu mais de U$ 600 milhos entre bilheterias e souvenirs. Não é um filme antissemita; é violento e brutal, mas não gratuitamente. É uma superprodução que narra o sofrimento de Jesus por outra visão, a visão de um diretor acima de tudo cristão, que adora a Bíblia, mostrando o amor de Cristo pelos homens. Portanto, retomando a frase de Scorsece, os espectadores devem assistir ao filme antes de julgá-lo para tirarem suas próprias conclusões... é um filme belíssimo é deve ser assistido sem preconceitos". 

 
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03/06/2014

As curiosidades do início do banho de mar no Brasil

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  

No início do século XIX, a praia sempre foi considerada um lugar muito perigoso e o hábito de jogar impurezas no mar sempre inviabilizavam uma noção do lazer nos banhos de mar. Ademais, o mar sempre suscitava temeridades nas pessoas. 

Para muitos, o mar era lembrado sempre como um enorme martírio. Se avaliado de fato as condições de viagens marítimas, esse medo de certa forma fazia algum sentido para aquela época: medo de tempestades, mudanças climáticas durante a viagem, alimentação reduzida, água salobra, sem condições de higiene e sem privacidade. A vinda ao Brasil pelo mar foi muito dura para a família real portuguesa. 

Em Portugal, D. Maria e o rei tomavam banho nas caldas, águas sulfurosas bem mais quentes, que eram usadas para aliviar problemas de saúde e necessidades relativas a doenças. Então, o uso do mar no Brasil surgiu como forma de tratamento médico, assim como faziam na Europa. Quem ia a praia normalmente estava doente. Mas a ideia de ir ao mar e ficar na praia como lazer não se difundiu rapidamente, notadamente no Brasil. 

A ideia de ir ao mar por lazer veio com uma elite burguesa, isto já na segunda metade do século XIX, quando, principalmente na Europa, as pessoas que tinham casa numa determinada cidade passaram a comprar uma segunda propriedade junto ao mar para ter mais conforto no verão. 

Somente no século XX o banho de água salgada foi incorporado como prática e espaço de convivência ou hábito de divertimento. O horário de maior movimento para banhos de mar era antes mesmo de amanhecer do dia, pois às sete horas, com o sol já alto, as pessoas de respeito não se atreviam a ficar expostas na areia.



Banhistas em 1915 e a roupa de banho com touca, roupão e toalha felpuda



Família de banhistas em Santos, na década de 1915.


Outra curiosidade é que em Copacabana, no Rio de Janeiro, o banho de mar dava direito para algumas famílias a um copo de leite ao pé da vaca, na própria praia, para esquentar quem saísse da água.

Agora veja a prescrição médica de um médico consagrado da época, Plínio Olinto, em 1915. Vejam as pérolas dos conselhos e das recomendações:

 

Banho de Mar:

Somente sob prescrição médica.

Os banhos de mar são indicados com vantagens desde que sejam usados como cumpre. A primeira questão a resolver é a escolha da praia. Aqui no Rio, as do Flamengo e Santa Luzia são bastante freqüentadas, havendo também quem tome banhos na praia do Caju.

Não resta a menor dúvida que uma das principais vantagens dos banhos de mar está no movimento das ondas, sendo que a outra fica na propriedade da composição do ar ambiente. Os anêmicos, os escrofulosos, os convalescentes em geral melhoram muito com os banhos do mar.

Os tuberculosos, os cardíacos, os gotosos não devem tomar. Nos indivíduos nervosos eles provocam excitabilidade e insônia.

Em nossa clínica temos observado um fenômeno curioso. Nas senhoras com tendência ao nervosismo, o uso de banhos de mar determina uma irritabilidade crescente que vai até o ataque histérico, sendo de notar que a simples moradia à beira mar não as prejudica (...) os banhos de mar só devem ser usados sob prescrição médica. Ao clínico compete pormenorizar as suas condições, não esquecendo o tempo de duração, segundo o estado e as necessidades do doente.

Os banhos de mar fazem engordar e até emagrecer, conforme a maneira de tomá-los. Para colher todos os proveitos do banho de mar é indispensável seguir o regime:

 

1- Morar a beira bar;

2-Despertar cedo, vestir-se e seguir a praia.

A roupa deve ser de flanela ou bata grossa de cor escura, sem forros e roupa branca por baixo.

Deve constar apenas de calça e camisa para homens e calça e blusa para mulheres. O emprego de touca de pano impermeável para estas é necessário. Os sapatos e as calças devem ficar na areia.

3- Ao chegar á praia, entre-se logo no mar, procurando molhar a cabeça ou apenas a nuca com as mãos logo que água chegue pela cintura.

4- Abaixar e levantar o corpo, recebendo as ondas de flanco. 

5- Procurar respirar forte;

6 – Nadar ou boiar um pouco para repousar;

7- Receber novamente as ondas abaixando e levantando o corpo.

8- Não há a mínima necessidade de mergulhos, nem pulos, nem gritos, nem prolongados esforços de natação;

9 – Sair da água apressado procurando logo a capa.

10 – Embrulhado na capa passear do longo da praia afim de provocar reação.

11- Em casa, pode-se tomar banho frio.

12 – a duração do banho de mar de variar entre 3 e 15 minutos, segundo a constituição do doente.   

Os que pretendem emagrecer devem demorar mais tempo.

 
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