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02/06/2014

A viagem de Dom Pedro II ao exílio: melancolia e saudade

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  

D.Pedro II destronado. Numa madrugada chuvosa a família imperial brasileira embarca em um navio rumo ao exílio. É a despedida melancólica da monarquia brasileira. Quem conta esta viagem com um relato tingido de tristeza é uma protagonista da história e integrante desta mesma viagem, Maria Amanda Paranaguá Dória, a Baronesa de Loreto.

Seu diário é que narra com riqueza de detalhes a jornada desta viagem, falando do grupo que tinha o já ex-imperador Pedro II. Outros diários conhecidos versaram sobre a viagem, inclusive um do próprio Dom Pedro. Mas das impressões de Maria Amanda, dama de companhia da imperatriz Teresa Cristina (Amandinha, no círculo imperial), resulta uma visão particularmente tocante. O diário tem vários relatos. Conta, por exemplo, o momento carregado de dor em que Dom Pedro chora com muita dor a morte da Imperatriz Teresa Cristina, três semanas após o desembarque em Portugal.

O Barão e a Baronesa de Loreto acompanharam o imperador no exílio por vontade própria, em demonstração de fidelidade. Juntaram-se à comitiva de duas dezenas de integrantes que, dois dias depois de proclamada a República, se dirigiu ao cais em tom de marcha fúnebre, embalada pelo silêncio do Rio de Janeiro que dormia.

 

Com uma escrita simples, ela destaca a nostalgia e a resignação dos passageiros, sobretudo de Dom Pedro. Quase todas as menções a ele são acompanhadas da palavra “saudade”. Não se discutiu mais política a bordo, só literatura. Ali, Dom Pedro manteve o hábito das rodas de leitura noturnas, às quais ele próprio batizou de “conversações saudosas”.



Foto da família imperial em Petrópolis, em 1889. Num trecho do Diário da Baronesa de Loreto: "só temos nos pensamentos saudades e saudades".



A vida relativamente simples que a família imperial levava no Rio de Janeiro se reproduziu a bordo, segundo relatos. Nenhuma festa, banquete ou roupa de gala. No dia do aniversário do imperador, 2 de dezembro daquele ano, abriu-se uma garrafa de champanhe, de que todos compartilharam. Ele ergueu a taça e disse: “Brindo à prosperidade do Brasil”. A imperatriz sequer participou; sentia-se mal.


Amandinha ainda relata que, numa escala na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, ele fez questão de dar dinheiro a um padre, para que distribuísse aos pobres, mesmo estando literalmente pobre e sem dinheiro. A Baronesa de Loreto também se estende sobre um dos maiores motivos de preocupação a bordo do Alagoas: o comportamento do neto mais velho do imperador, Pedro Augusto. Preparado desde criança para assumir o trono, Pedro Augusto, que tinha tendências paranoicas, sofreu surtos psicóticos.




Embarcação Alagoas, que levou a monarquia brasileira e seus fiéis ao exílio.


A cena mais pungente descrita no diário, no entanto, é justamente a morte da imperatriz em um hotel simples da cidade do Porto, para onde havia se retirado. Quase meio século em que esteve casado com Teresa Cristina, Dom Pedro II apegara-se a ela e tratava-a com extrema ternura.

 

D. Pedro II acabou morrendo dois anos depois, aos 66 anos, de pneumonia, no modesto hotel de Paris onde viveu o fim de seus dias. A Baronesa de Loreto voltou com o marido ao Rio de Janeiro, onde morreu em 1931, aos 82 anos, sem jamais publicar seu relato da viagem que mudou tantas vidas. O diário da Baronesa de Loreto estava esquecido nos arquivos do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) até ser recuperado e lançado como livro em 2013.

 
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23/04/2014

"A Filha do Pai", inesquecível e delicado

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  



Poster do filme "A Filha do Pai"


Um filme verdadeiramente delicado em toda a sua composição, seja nos diálogos, nas cenas, na expressão dos personagens. Belíssimo e sensível. As próprias fotografias e os cenários são de uma delicadeza incrível. Direção perfeita!

Filme que é inspirado no livro do francês Marcel Pagnol, que já tinha adaptado seu próprio romance para o cinema em 1940, em plena guerra. O livro e o filme fazem parte dos grandes clássicos populares franceses. A grande característica de Marcel Pagnol foi sempre enfatizar o diálogo e uma certa musicalidade de seus filmes, sendo o tema de muitos de seus filmes uma aguda observação aos rituais sociais, e estas características de encenação criada neste filme são facilmente observadas. 



Cena de "A Filha do Pai"

Sinopse: Em 1939, a jovem Patricia se vê grávida de Jacques, um belo piloto de caça, que é enviado ao fronte. Os pais ricos do rapaz a acusam de ser uma chantagista e Patricia, ao lado de seu pai, terão sozinhos que enfrentar os problemas e as alegrias de dar as boas-vindas à criança. Uma alegria que os pais do rapaz logo invejarão e desejarão compartilhar quando Jacques é dado como desaparecido em missão. E então, na França pré-Segunda Guerra Mundial, o pai da moça ficará dividido entre o seu senso de honra, de honestidade e de um extremo rigor de ver a sua filha princesa grávida, mãe solteira, depois que a jovem se envolve com o filho de um rico comerciante.

O personagem do pai da moça, Pascal Auteuil, do ator Daniel Auteuil, que também faz sua estréia como diretor, impressiona. A cena dele indo a casa do piloto é incrível!

Lindo. Inesquecível. Vale a pena conferir. 



Título original: "La Fille du Puisatier"

 
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02/04/2014

"A Cova da Serpente" e o brilhante desempenho de Olivia de Havilland

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em Cinema
  


Mesmo considerando que já tiveram vários filmes com abordagens psicológicas sobre os traumas de infância e a vida de um manicômio, este filme é um prato cheio para os temas de saúde mental, psicoterapia, relação terapêutica e hospitais psiquiátricos. Mas, o que impressiona mesmo é a atuação de Olivia de Havilland, simplesmente magnífica! Tem, de fato, um desempenho notável, e merece ser reconhecida como uma grande atriz, mesmo que talvez nem sempre seja incluída no rol das grandes damas do cinema para muitos especialistas.

O filme também é bom, a trama é bem conduzida, embora não esteja listado como um dos grandes filmes da história do cinema.

A sinopse é simples. Virginia (Olivia de Havilland) aparentemente se apaixona por Robert (Mark Stevens) e se casam. Mas, após o casamento, ela começa a se comportar de uma forma estranha. O marido a interna em um sanatório, onde ela começa um tratamento a base de eletro-choque. Vai gradativamente melhorando, sofrendo muito no ambiente interno do sanatório. “Cova das serpentes” é a ala onde ficam os pacientes sem cura, o que ela teme.

O filme é um drama baseado num relato semi-biográfico de Mary Jane Ward. Foi um dos maiores recordistas de bilheteira de 1948 e mostrava, numa das primeiras vezes no cinema, o tratamento que a sociedade dava aos doentes mentais.

Quem se acostumou a ver Olivia de Havilland em “E O vento Levou”, no papel da doce companheira de Scarlet, fica bem mais impressionado com seu desempenho, agora representando a angustiada Virginia, lutando para fugir de seus fantasmas do passado.

Os realizadores deste filme tinham como objetivo chamar a atenção das autoridades para os maus-tratos aos quais os doentes mentais são submetidos nas populosas instituições psiquiátricas do governo. E foi justamente isso o que conseguiram: em 1949, Herb Stein escreveu: "O Wisconsin é o sétimo estado do país a instituir reformas em seus hospitais mentais em consequência do filme"Mais tarde, todos os estados do país procuraram fazer reformas nos hospitais psiquiátricos somente por influência do filme. 

A “Cova das serpentes”  foi, mais precisamente, o terceiro filme a abordar a vida de uma pessoa que sofre de doença mental. O primeiro foi “Quando fala o coração, de Alfred Hitchcock, e o segundo, “Amar foi minha ruína, ambos os filmes de 1945.

Vale a pena conferir!


O brilhante desempenho de Olivia de Havilland em "A Cova da Serpente"



Celest Holm, companheira de cena de Olivia de Havilland

 
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24/03/2014

As maravilhas do Império Romano - Parte 4

  Autor: Paulo Roberto Cannizzaro, Em História
  


Caminho da Cloaca Máxima, canal passando pelo Fórum Romano


Cloaca Máxima (em latim Cloaca Maxima, italiano Cloaca Massima) é uma das mais antigas redes de esgotos do mundo. Foi construída na antiga Roma nos finais do século VI a.C. pelos últimos reis de Roma, que usufruíram da experiência desenvolvida pela engenharia etrusca para drenar as águas residuais e o lixo de uma das populosas cidades do mundo, Roma, para o rio Tibre, que atravessa a cidade, em direção ao Mar Tirreno, a alguns quilômetros a Oeste.

Há, entretanto, descrições de outros autores a respeito da cloaca ser um “esgoto a céu aberto”, que recolhia os resíduos das colinas e drenava também a planície do fórum romano. Este canal escavado abaixo do nível do solo teria sido progressivamente coberto, devido a demanda e avanço da cidade.

A Cloaca Máxima foi mantida em bom estado durante toda a idade imperial. Há notícia, por exemplo, de uma inspeção e trabalhos de manutenção sob a alçada de Marco Vipsânio Agripa, a 33 a.C.. Os traços arqueológicos  revelam intervenções em épocas distintas, com diversos materiais e técnicas de construção. O seu funcionamento prosseguiu durante bastante tempo após a queda do Império Romano. Mais uma das maravilhas da arquitetura romana.

 

 

Detalhamento da arquitetura e caminho da Cloaca Máxima até o Rio Tíber

 
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