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24/11/2011

Curiosidades sobre cinema: o ano de 1939





Você gosta de verdade de cinema? Dos autênticos bons filmes?

Se eu mesmo pudesse escolher apenas um ano para definir o que de melhor foi produzido no cinema, inegavelmente seria o ano de 1939. No entanto, não só eu escolheria este ano, a maioria dos especialistas na sétima arte também fizeram isto.

Há sete décadas o cinema estreava produções que iriam marcar para sempre a sétima arte. Foi uma safra de ouro, com destaque em todos os gêneros de filmes, consagrando diretores e artistas. Nesta época, acredite, já havia quase 18.000 salas de cinemas nos Estados Unidos, a entrada era módica (algo em torno de US$ 0,25), o mundo estava em guerra, mas o público estava cada vez mais fascinado por esta forma de entretenimento.

A Segunda Guerra Mundial começava naquele ano, mesmo que os EUA só tenham entrado nela em 1941. As economias recuperavam-se, de alguma forma, ainda dos efeitos devastadores da crise originária em 1929, com o crash da bolsa e Hollywood investia em grandes produções cinematográficas. Mesmo que, aparentemente, pudesse até ser um tempo sombrio ou de incertezas, o cinema surge como algo verdadeiramente mágico.

Colorizava-se essa ideia de grandes filmes, as estreias eram super badaladas com a presença dos grandes astros, que, muitas vezes, se apresentavam antes das sessões de lançamento, em tardes e noites glamourosas. 

O que aconteceu naqueles dias foi um conjunto de coincidências que culminaram para que aquele ano fosse singular na história do cinema, fazendo, assim, 1939 como o ano das maiores produções. Eis que surgem: ... E o Vento Levou; Adeus Mr. Chips; O Mágico de Oz; Meu Reino por um Amor; A Mulher faz o Homem; Ninotchka; O Morro dos Ventos Uivantes; No Tempo das Diligências; Vitória Amarga; para não falar de tantos outros...

Para não glamorizarmos apenas a grandiosidade de alguns filmes em especial, basta identificarmos um dado inimaginável: foram cerca de 483 produções lançadas naquele ano, e não faltavam os grandes astros, Clark Gable, Joan Crawford, Bette Davis, Greta Garbo, Mickey Rooney, Shirley Temple, o gigante Laurence Olivier, Tyrone Power disputando as bilheterias e rendendo algo em torno de US$ 659.000.000,00.

Entre os grandes filmes, o mais cultuado sem dúvida é... E o Vento Levou, com direção de Victor Fleming. Os direitos sobre a obra de Margaret Mitchell foram comprados por apenas US$ 50.000,00 para a adaptação, imaginem! E quem não se lembra das cenas coloridas e não sentiu dor ao ver a pequena Bonnie (papel interpretado pela atriz Cammie King) caindo do pônei. Não há como esquecer Scarlett O’Hara rolando na escadaria ou as cenas do pôr-do-sol em Tara. O filme é todo irretócavel.

O livro já era um sucesso absoluto e a sua estreia nas telas foi esperada ansiosamente pelo público, que, após longo período de espera, pôde ver em technicolor o cultuado astro Clark Gable, ao lado da praticamente desconhecida Vivien Leigh.

O filme teve tantas dificuldades para ser levado a efeito: confusões de bastidores envolvendo Gable e o diretor inicial George Cukor e a posterior substituição de Cukor por Fleming. Porém, nada deteve a beleza de um resultado magnífico, e, ao final, o que se viu foram três horas e quarenta e dois minutos de um filme premiado com os Oscars de Melhor Filme, Direção, Atriz (Vivien Leigh), Atriz Coadjuvante (a maravilhosa Hattie McDaniel e sua anágua vermelha), Roteiro Adaptado, Fotografia em Cores, Cenografia e Montagem. Prêmios merecidos para cenas inesquecíveis.

E não pára por ai. Havia ainda outros espetáculos naquele ano: O Mágico de Oz, também assinado por Victor Fleming. Podia parecer perigoso investir-se em duas super produções em um único ano, não fosse o Estúdio MGM, que poderia arriscar tudo, com suas tantas estrelas, como de um céu inspirado.

Desta forma, a história infantil mágica também foi às telas com Judy Garland ganhando o papel de Dorothy, a menininha do Kansas. Shirley Temple foi até cogitada para o papel, mas a Paramount não cedeu o seu maior trunfo para a MGM, fazendo com que o papel voltasse às mãos de Garland.

A personagem acabou sendo o grande trunfo da carreira da jovem atriz e ela rodou os Estados Unidos em apresentações que aconteciam antes das sessões, rendendo mais circulação de dinheiro para a audaciosa MGM. Depois disto, é impossível imaginar "Somewhere Over the Rainbow" fora do filme ou na voz de alguém que não fosse Judy.

Uma coisa é certa: para 1939 tudo era possível. Não havia limites para ousadia, foi o ano em que Greta Garbo falou (Ufa! Finalmente) e riu também - para quem aparecia tão linda, mas silenciosa. Em Ninotchka, uma comédia romântica assinada por Billy Wilder, a eterna diva recebeu inclusive uma indicação ao Oscar. Neste ano, inclusive, ainda se tinha outra grande atriz, Bette Davis em Vitória Amarga.

E, assim, se escreveu o ano mágico que mudou a história do cinema. Talvez a grande contribuição daqueles dias fosse mesmo a de firmar a arte do cinema, de forma mais difundida e ganhasse, definitivamente, um lugar de destaque na vida de seus espectadores mais fiéis. A crítica cinematográfica reconhece ser este o ano glorioso de criação de Hollywood.

Para quem gosta verdadeiramente de cinema, o ano de 1939 ainda não acabou. Passa-se o tempo, a gente assiste a estes filmes novamente e ainda se surpreende que eles sejam melhores do que da última vez que o vimos, como se o vento não tivesse conseguido levá-los.

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View Comentários 8 Comentários


Link direto para este comentario Ana Clara Cannizzaro
24/11/2011

Pai, obrigada por ter me transmitido esse amor ao cinema.
Com certeza, essa é uma das maiores heranças que você me deixou.
Lembro de todos os filmes que vi com você. No início, devo admitir, até com certa resistência. Mas acabei me rendendo ao encanto de todas as produções.
O primeiro deles: "Carta para uma desconhecida", naquela pequena televisão em Maria Farinha, ainda em VHS, lembra?
Quantas vezes repetidas vimos aquela cena da escada de "My Fair Lady", quando Audrey canta "I could have danced all night...". Nos emocionamos com "Uma cruz a beira do abismo", nos impressionamos com "Um clarão nas trevas" e esperamos, incansavelmente, o lançamento de "Yentl" em DVD.
Obrigada, Amigão.

Link direto para este comentario Ana Regina
24/11/2011

Preto,
O significado de paixão por cinema aprendemos com você. Nossa Clarinha não nos deixa mentir.
Lembro-me do primeiro filme que assisti com você na casa de Candeias numa máquina de 16mm
" Doutor Zhivago " ou simplesmente Dr. Jivago com a música Tema de Lara.
Detalhe....há 30 anos atrás.
Te amo sempre

Link direto para este comentario paulo roberto cannizzaro
24/11/2011

Clara:
O cinema é de fato mágico, e bons filmes são sempre inesquecíveis. Alguns ficam na alma, marcado como boas perseguições, a gente não os esquece mais. Não há como esquecer uma Bette Davis em "A Malvada", ou Joan Crawford, Marlene Dietrich, Fred Astaire sapateando, Charles Laughtom, filmes como Testemunha de Acusação, Cidadão Kane, Dançando na Chuva, Dr Jivago, Felicidade nao se Compra, Capra. Me lembro voce desde de menina vendo filmes antigos do meu lado e eu tentando te explicar cada uma deles, a minha maneira. Importante é que voce cultivou o mesmo amor pelo cinema. Amo voce.

Link direto para este comentario fernandomesquita
28/11/2011

Poxa, Que ideia boa, um blog que vai comentar sobre cinema, literatura, administração e história, que coisa legal.
Estava fazendo uma busca sobre ...e o vento levou e o ano de 1939 e ai achei estas notas sobre cinema, que maravilha, e foi o melhor comentário mais bem explicado que eu li sobre as filmagens do ano de 39.
Muito legal.
Continue escrevendo sobre cinema porque sou amante de bons filmes.
Parábens.Adorei mesmo. Vou criar cliente da página sobre cinema.
Mesquita

Link direto para este comentario BethaniaSiqueira
08/12/2011


Este é filme é imperdível.Adorei o seu comentário sobre o filme.
Bebeu, Floripa

Link direto para este comentario fatima siqueira
18/04/2012

Adorei seu blog.
Simplesmente ótimo.
fafa, pesqueira,pe

Link direto para este comentario veronica sampaio
23/05/2012

Blog incrivelmente perfeito.
Parabéns amigo.
Veronica, BH

Link direto para este comentario Regina coeli palma de almeida
01/10/2012

Paulo: já havia tido o privilégio de receber algumas preciosas e sábias lições sobre cinema de sua parte, mas este Blog dá um sentido maiior ainda a estas impagáveis lições!
Obrigada por compartilhar com outras pessoas também amantes do cinema este conhecimento único,
Um abraço,Regina

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