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28/11/2011

Um caso de amor e amizade: D. Pedro II e Luísa





A história está repleta de histórias de amores nas cortes imperiais. Talvez uma das curiosas tenha sido a do nosso discreto Dom Pedro II, seguramente um dos maiores homens públicos.

No Brasil, com a chegada da Família Real, no século XIX, o país se tornou efervescente. Aportou aqui muita gente, e, com eles, alguns casos de amores... Alguns, absolutamente escandalosos e não foram poucos os que eram abertos para todo mundo ver; outros, mais discretos e escondidos.

Conta-se, por exemplo, que Dom João VI, um homem inteligente e que de fato representa tanto da afirmação do próprio país em nossa história imperial, era talvez mais preocupado em seu paladar e bons pratos do que exatamente na relação com sua complicada esposa. Ele, inclusive, fingia não ouvir as fofocas palacianas sobre o comportamento de Dona Carlota Joaquina e seus amantes, chegando a nomear um deles como Diretor do Banco do Brasil.

Seu filho, o Imperador Dom Pedro I, era, seguramente, o amante declarado das cortes. Sua vida amorosa foi movimentada: homem de muitas amantes, dizem que com vários filhos bastardos, envolvendo-se com qualquer tipo de mulher e chegando a ter um caso com a irmã de uma de suas amantes, imaginem! O galante Imperador não tinha limites.

Já Dom Pedro II, tímido, introspectivo e discreto, tinha comportamento mais recatado. Assumiu o trono muito jovem e ao se casar sentiu-se desapontado. Mostraram-lhe uma pintura de uma linda morena de Nápoles, que em seguida não fez jus a essa descrição. Mesmo assim, foi conduzido a casar-se com Tereza Cristina que era feia e manca, conta a história.

Mas, de alguma forma, ele honrou a sua vida palaciana e foi com ela que esteve quase toda a sua vida, sobretudo por um fato marcante: com a Imperatriz Teresa Cristina, a verdadeira caridade sentou-se no trono brasileiro. Nos 46 anos que esteve no Brasil, Dona Tereza Cristina representou o protótipo de virtudes cristãs, mesmo que sua atuação seja quase invisível na história brasileira, e ressalte-se, injustamente. Coube a ela o título de “a mãe dos brasileiros” e a imagem de uma mulher extremamente virtuosa era consenso unânime. 

Quando Dom Pedro II tinha 31 anos, ele conhece Luísa Margarida, a Condessa de Barral, mulher mais velha do que ele cerca de nove anos e por quem perdidamente se apaixonou. Segundo historiadores, foi o grande amor de sua vida. Ao longo dos anos, mostrou-se que o caso de  Dom Pedro II era mais do que uma simples paixão passageira: converteu-se em confiança, respeito, admiração intelectual e amor, pelo que se pode concluir pelas suas cartas à Condessa. E imaginem: eles mantiveram um romance por 34 anos, a maior parte dele por cartas, que ambos combinaram em destruir. Dom Pedro II cumpriu a promessa e destruiu todas as cartas recebidas de sua Condessa. Luísa, contrariamente, guardou algumas delas e é exatamente através dessas correspondências secretas que boa parte da história está sendo contada, recentemente. Conforme relatos da escritora Del Priori, o casal se encontrava, às escondidas, em Petrópolis, onde Luísa havia alugado um chalé, e no Rio, no Palácio de São Cristóvão, onde morava o Imperador. Diários encontrados referem-se ainda a uma viagem que o Imperador e a Condessa teriam feito juntos à Grécia.

Dom Pedro II encantou-se com a figura de Barral: de beleza rara, educada, elegante, magra, vestia-se bem e seguia a moda francesa. Conta-se que ela mandava e desmandava no Imperador, mas que não o influenciava em suas decisões de governante e monarca. Reconhecidamente, ela muito ajudou Dom Pedro II no seu traquejo social, nas cerimônias do Palácio e em seu comportamento na corte. Como ele era um homem simples, Barral o ensinava a portar-se à mesa, a limpar as unhas e etiqueta para não cometer gafes. A Condessa, atualizado pelo tempo que morou na Europa, partilhava informações sobre arte, livros, teatro e cultura geral.

Aparentemente, o marido de Barral nunca se posicionou sobre seu romance com Dom Pedro II. Como preceptora das filhas do Imperador, a Condessa recebia muitos convites para bailes, mas estava sempre desacompanhada. Quando as princesas casaram, Luísa volta para a Europa, e, assim, começam as trocas de correspondências com o Imperador.

Com a Proclamação da República, a Família Imperial exila-se na França. Dom Pedro II reencontra a Condessa.  O Imperador lhe escrevia poesias e cartas confidentes, colhia flores e deixava na porta de seu quarto. 

Luísa vem a falecer de pneumonia cerca de dois anos depois, e ele, logo em seguida, com complicações de sua diabetes.



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View Comentários 7 Comentários


Link direto para este comentario Tadeu Augusto
28/11/2011

Adorei este artigo.
Eu ja tinha lido esta história, mais nao contada assim com tanta delicadeza.
Parabens
Tadeu Augusto, Campina Grande, PB

Link direto para este comentario Ana Clara Cannuzzaro
28/11/2011

Pai:

Quem realmente lhe conhece sabe o quanto você é apaixonado por História do Brasil, principalmente o período imperial.

Um beijo,

Clarinha

Link direto para este comentario EtienneCarvalho
01/12/2011

Muito legal este artigo sobre D.Pedro II.
Sugiro que voce leia, se não leu também, porque parece que voce é um estudioso no assunto, o livro do próprio Gilberto Freire ( Euclides e outros), que ele traz um perfil psicologico de D.Pedro II, exatamente falando sob as caracteristicas de discrição dele.
Muito bacana o artigo amigo, escreva mais né, sobre o tema.
Porque voce nao escreve alguma das cartas dele, risosos, conta ai o que eles conversavam nas cartas.

Link direto para este comentario Marcia Araujo
03/12/2011

Muito legal este blog.
Maravilhosa a ideia de escrever sobre cinema, literatura, história.
Tem que postar mais artigos amigo.
Grande idéia, blog com conteúdo acadêmico, estamos precisando disto na internet, mais do
que nunca.
Marcia Araujo, Florianopolis

Link direto para este comentario sabrina calado
16/12/2011

Dr.Roberto, adoro essas histórias de antigamente, quando leio, é como se estivesse revivendo esse passado cheio de histórias junto com esses curiosos personagens. Por isso venho aqui lhe perguntar se o Sr. conhece a história de Maria Antonieta? A mesma tem uma história fascinante e o filme é lindo, cheio de riquezas de detalhes e o melhor de tudo, foi gravado no Castelo de Versailhes na França onde ela realmente morou. Vale realmente a pena ver... Grande abraço. Sabrina Calado

Link direto para este comentario Tereza Cristina
14/12/2011

Amigo:
No seu artigo voce só não comentou se o caso do Imperador com sua amante era explorado na época pelo povo e se era uma coisa rasgada para todo mundo ver, como aconteceu por exemplo com o Pai dele, D.Pedro I. D. Pedro II foi atacado pela imprensa e pelo povo por causa desta caso de amor de ele com a Condessa?
fiquei curiosa como a minha Xará conviveu com isto.
Tereza Cristina, Blumenau,

Link direto para este comentario martasampaio
15/12/2011

Voce como estudioso do tema, e dá para ver, que é um expert no assunto, devia explorar o tema da conduta indigna do Brasil em relação a morte do Imperador.Sou professora de história. Tive acesso ao seu blog fiquei espantada com seu texto, super didático.
Parabens amigo.
Marta, BH

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