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03/12/2011

Joaquim Nabuco e a República




Uma das passagens mais interessantes da história e da política brasileira é a chegada da República e como Joaquim Nabuco a encarou em relação as suas convicções monárquicas.

Nabuco era um ferrenho monarquista, conciliava essa posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político.

A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que resultaria à sociedade brasileira.

Com a República, em 1889, forçada através de um golpe militar, e a federação, por decreto do novo governo, Nabuco não acreditou exatamente nesta concepção de governo, e, apesar de muito instigado, não aderiu à nova forma republicana.

Preferiu o caminho de participar da fundação de um partido monarquista, formado por líderes do período imperial que se mantiveram fiéis a dinastia destituída.

No ostracismo, ele escreveu parte de sua obra, entre elas Um Estadista do Império e a Minha formação, e só voltou à vida pública quando compreendeu a impossibilidade da restauração da monarquia. Convocado por sua reconhecida inteligência pelo governo republicano, acabou aderindo à República de forma incontestável, mesmo que tenha resistido durante tanto tempo.

O que é lindo nisto tudo é a sua defesa delicada e incisiva à monarquia, sempre bem fundamentada em suas convicções políticas, que ele fez durante toda a sua vida. Uma das passagens mais marcantes é a que deixou registrada no Diário do Commercio, periódico da época, afirmando: Porque continuo a ser monarquista. Ele não se entregou facilmente à sedução da República.



Nabuco acreditava que as monarquias tinham interesse sim em alternar os partidos, em conservar o poder de fiscalização livre no país e, contrariamente, o interesse dos governos republicanos, declaradamente, eram perpetuar-se no poder.

Dizia ele, que a nossa monarquia tropical era singular, porque não tinha conteúdo militar, nem clerical, nem aristocrático e por isso foi derrubada pelo exército.

O grande Darcy Ribeiro disse:

“Eis o nosso grande Joaquim Nabuco, monarquista de ideias e convicções profundas, mesmo após o 15 de novembro, aqui convertido”.

“A sabedoria e o amadurecimento em dez anos de reflexões, levaram-no a considerar a República como a forma inevitável de governo para o Brasil, a vocação histórica e necessária das nações da América”.

(ANDRADE, Manuel Correia. Joaquim Nabuco – A abolição e a República)



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View Comentários 3 Comentários


Link direto para este comentario Mariana Campelo
06/12/2011


Maravilhoso o artigo.
Parabens
Mariana

Link direto para este comentario rudyson
07/12/2011

e as pessoas nem sabem esses bastidores do motivo que a gente tem o feriado de 15 de novembro...
boa lembrança!

Link direto para este comentario Margocavaggiol
14/12/2011

Eu fui um dia destes na Fundação Joaquim Nabuco e fiquei impressionada com o abandono do lugar. Muito feio, e vem você com este artigo maravilhoso. Quem devia ler este artigo deveria ser as autoridades locais que nos fazem desvalorizar a nossa história.
Mandem este artigo para nossos governantes para eles saberem o quanto deveriam cultuar os nossos grandes homens.
Muito bom seu artigo.
Margo, Olinda

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