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12/07/2013

"Perdição por amor", um escândalo para a época.



Cartaz de "Perdição por amor" ("Carrie"), de 1952.

O que é notável neste filme é ver mais um grande desempenho do excepcional Laurence Olivier. Ele, de fato, é um dos monstros da interpretação cinematográfica. Impressiona sua atuação, junto de Jennifer Jones, inesquecível no filme “Suplício de uma Saudade”, embora especialmente neste filme sua atuação nem chegue perto do grande Olivier.

É uma história impressionantemente trágica. Laurence Olivier representa um típico homem de família, bem posicionado socialmente, com uma situação financeira  estável, uma vida tranquila com seus filhos e esposa, gerindo um grande restaurante respeitável. Enfim, um executivo regiamente remunerado, gozando de grande confiança e respeitabilidade. Apresenta-se bem vestido, diariamente, no desempenho de suas atividades profissionais.

Na trama do filme, ele vai abrir mão de todo esta situação de aparente “estabilidade”, para ir viver isoladamente uma história de enorme paixão, com uma garota que vem do interior para Chicago buscando melhorar de vida e encontrar um emprego. Até este encontro, ela já havia se tornando amante de outro homem nesta cidade grande, que abrigou a desempregada em seu apartamento.



Lawrence Olivier e Jennifer Jones em cena, na escandalosa história de amor.



Lawrence Olivier e Jennifer Jones, protagonistas da trama.


O filme é baseado no romance de Theodore Dreiser. Ele  foi um escritor e ativista político norte-americano. Naquela época, os editores classificavam Dreiser como um autor “imoral demais”. O filme, de certa forma, conta uma história escandalosa, para os padrões de um homem de família naquela década, que larga tudo e vai morar com uma interiorana, sem visibilidade social e sem se casar oficialmente. Uma afronta total.



Primeira edição  do livro, em 1900, já considerada uma obra controversa. Os editores fizeram uma capa que não despertasse muita atenção.


A direção de William Wyler também é impecável. O mestre Wyler talvez seja considerado um dos maiores mestres e condutores dos grandes atores de Hollywood. Mesmo assim, o filme é um dos seus raros fracassos de bilheteria, talvez exatamente por narrar uma história tão incomum e, claramente, pouco comercial.

Na verdade, Laurence foi amigo de Wyler. Eles já haviam trabalhado juntos em o “Morro dos Ventos Uivantes”, e a impressão que se tem, assistindo a trama, é que ninguém faria melhor o papel, do que Olivier neste filme. Muitos dizem que foi Wyler que ensinou a Olivier a ser o grande ator que acabou se transformando ao longo de sua vida. No entanto, com a textura que Laurence Olivier dá ao personagem, deixa a impressão que ele ultrapassa mesmo o que tinha aprendido com Wyler. Ele está soberbo no papel.

Jennifer Jones, dizem os especialistas, foi escolhida porque era esposa do poderoso do produtor David Selznick. Acabou fazendo o papel de Carrie, embora a indicação original para o papel deveria ser dada a Elizabeth Taylor, que foi preterida por ser muito nova e acabou perdendo o papel.

O filme foi duramente rechaçado pela ala conversadora da sociedade americana e talvez explique muito deste fracasso de público. O livro já havia sido um verdadeiro escândalo, na ocasião. Até a capa do livro é sombria, sem nenhum adorno. A crítica sobre este filme sempre foi muito pouco generosa. Se você ler mais sobre o filme, seguramente não vai encontrar ele na lista dos grandes filmes, tendo acumulado sobre si certa intolerância pela sua falta de sucesso. Alguns ainda são severos em criticar o desempenho de Jennifer Jones, afirmando que sua atuação é exageradamente sombria, o que teria deixado o filme ainda mais pesado.  

Outros não perdoam, ainda, o final do filme, dizendo que deveria ter mais impacto. É verdade que ele passa uma sensação de um corte rápido e mal concluído, abruptamente, e sem maior fechamento dos personagens.

Inegavelmente, o tom do filme é bem trágico, sobretudo quando retrata um Laurence Olivier maltrapilho, pedinte, muito distante do personagem original. Ainda é trágico o comportamento da ex-esposa, que com sua influência social é capaz de boicotar toda a sequência da vida do personagem de Olivier.

Críticas à parte, eu recomendo este filme. É um filme muito bom e que já vale a pena, somente para ver o grande Sir Olivier (poucos receberam este título no cinema e na Inglaterra).

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View Comentários 2 Comentários


Link direto para este comentario Ana Clara Cannizzaro
12/07/2013

Não conhecia esse filme, Pai.
Parece ser muito interessante. Depois vou tentar locá-lo.

Link direto para este comentario FRED PAIVA
12/07/2013

INTERESSANTE A HISTÓRIA. FIQUEI CURIOSO COM ESSE FILME. SERÁ QUE AINDA EXISTE ESSE LIVRO?

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