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27/09/2013

A vida de Jane Austen e o encanto eterno de suas obras

Por Ana Clara Cannizzaro


Jane Austen. Pintura a óleo por um ator deconhecido, em 1875. 



O único retrato oficial feito da autora é esta aquarela inacabada de sua irmã Cassandra, em 1810. 

Ao começar a escrever este artigo, tentei me lembrar quando foi que me apaixonei pelas obras de Jane Austen ou, pelo menos, quando foi que li o primeiro livro da autora. No entanto, não consegui me lembrar. Parece, na verdade, que ela sempre esteve presente em minha vida e com certeza, ela é uma das grandes culpadas por eu ter me tornado tão romântica.

Falar de Jane Austen para quem gosta de romances é até um pouco desnecessário, pois para quem ama as obras clássicas deste gênero literário, Jane Austen é a rainha de nossas bibliotecas particulares. Porém, para aqueles que nunca leram nada dela, escrevo este artigo com muito carinho para lhes apresentar ao mundo de Jane Austen e tentar persuadi-los a se permitirem encantar por seus livros e todos os filmes e minisséries baseadas em suas obras.

Jane Austen nasceu em 1775, em Hampshire, Inglaterra, em uma família pertencente à burguesia agrária e sua situação e ambiente serviram de contexto para todas as suas obras, cujo tema sempre girava em torno do casamento da protagonista. 

Jane era filha do reverendo George Austen, e de sua esposa Cassandra. A família era formada por oito irmãos, sendo Jane e sua irmã mais velha, Cassandra, as únicas mulheres. Cassandra e Jane eram confidentes e muito próximas. A relação de amizade das duas irmãs foi transmitida nos personagens de duas irmãs em “Orgulho e Preconceito”.

Entre 1785 e 1786, Jane e Cassandra foram alunas de um internato, lugar que pode ter inspirado Jane para descrever o internato da Sra. Goddard, que aparece no romance Emma. O reverendo e tutor Austen tinha uma ampla  biblioteca e, segundo Jane Austen conta em suas cartas, tanto ela quanto sua família eram "ávidos leitores de romances e não se envergonhavam disso". Todas as protagonistas de Jane Austen tinham o apurado gosto pela leitura.

Entre 1795 e 1799 começou a redigir as primeiras versões dos romances que se publicariam sob os nomes Razão e Sensibilidade”, Orgulho e Preconceito” e “Abadia de Northanger" (que antes se intitulavamElinor e Marianne, “Primeiras Impressões” e Susan, respectivamente). Em 1797, seu pai quis publicar Orgulho e Preconceito, mas o editor recusou.

Em 1800, seu pai decidiu mudar-se para Bath, cidade que Jane não apreciava muito. As memórias desta época são consideradas como a inspiração para a obra “Persuasão”, onde a protagonista também se muda para Bath a contragosto.

Em 1810 ou 1811, “Razão e Sensibilidade” foi publicado de forma anônima, com o pseudônimo: "Por uma Dama".  Animada pelo êxito da publicação, a autora, de forma anônima novamente, publicou “Orgulho e Preconceito” em 1813. A identidade da autora começou a difundir-se, graças à popularidade desta última obra e à indiscrição da família. Em 1814, surgiu Mansfield Park, obra da qual se venderam todos os exemplares em seis meses. Em 1815, foi publicada Emma”.

Austen começou “Persuasão”  em 1815 e um ano depois começou a se sentir mal. No início de 1817 começou uma nova obra, porém teve que abandoná-la por seu estado de saúde. Jane Austen faleceu em 18 de julho de 1817. Seu último romance “Persuasão”  e o já escrito “Abadia de Northanger" foram preparados para publicação pelo irmão Henry Austen e foram publicados ainda em 1817.

Além do gosto pela leitura, um ponto comum entre todas as suas protagonistas era que elas não eram muito interessadas em serem prendadas ou terem muitos talentos.  Em “Orgulho e Preconceito”, surge um debate entre os personagens sobre o que comumente era o protótipo de dama ideal. Para a aristocracia, um bom modelo era o de uma mulher culta, que sabia falar idiomas modernos, que entendia de música, de estilo, de vários temas, que soubesse tocar um instrumento, desenhar e que tivesse certo carisma e expressão na maneira de andar e falar. Frente a isso, Elizabeth (a protagonista) põe em dúvida se existe uma mulher capaz de ter todas essas qualidades ao mesmo tempo, ao que responde a Mr. Darcy: “Não duvido que conheçais apenas uma dezena; duvido que conheçais alguma”.

Jane Austen e sua irmã Cassandra nunca se casaram. O grande amor da vida de Jane teria sido o irlandês Thomas Lefroy, mas que este amor teria sido impossível devido a razões econômicas, pois era esperado para o jovem Lefroy um casamento mais vantajoso. 

Eu considero que Jane Austen conferiu a todas as suas protagonistas o final feliz no amor que ela talvez não conseguiu ter e por isso seus livros são tão encantadores. São repletos de inocência, amor e esperança de um final feliz. Além disso, sempre encontramos  uma perspicácia, inteligência e ironia nas protagonistas que são divertidíssimas, característica das obras desta autora.

E, como se não bastasse todos os seus maravilhosos livros, existem muitos filmes e minisséries (produzidas especialmente pela BBC) que nos trazem em imagens todas essas encantadoras histórias!



Produção da BBC de "Persuasão", 2007. Há também uma outra versão de 1995. 

A história traz a jovem Anne, que pressionada pela família aristocrática e falida, rompe com seu noivo, que não tem posição social, nem dinheiro, para anos mais tarde o reencontrar rico, bem sucedido e rodeado de pretendentes.




"Orgulho e Preconceito", de 2005. Há várias outras versões, com destaque para a de 1995 da BBC.

O romance conta a história de cinco irmãs que são criadas para terem bons casamentos, apesar da pouca condição financeira. A segunda filha, Elizabeth é a idealista que quer se casar por amor, quando ela conhece o bonito e orgulhoso Darcy, por quem acabará por se apaixonar, mesmo contra sua vontade.




"Emma" da BBC, de 2009. Há uma outra linda versão com Gwyneth Paltrow de 1996.

Nessa história, a protagonista é Emma, uma jovem bonita e inteligente que vive feliz com o pai viúvo. Quando sua governanta se casa ela fica entediada e resolve bancar o cupido para as pessoas que a cercam, mas apesar de parecer ser uma autoridade no assunto, Emma nunca se apaixonou e nunca imaginará quem é seu grande amor.



"Razão e Sensibilidade" de 1995. Há outras versão recente da BBC, de 2008.

Nesta história, após a morte do pai, duas irmãs são deixadas em má situação financeira. Uma é muito racional e a outra é muito sensível. Obrigadas a mudar-se para o campo, acabarão por encontrar o amor, cada uma a seu modo.



"Mansfield Park" ou "Palácio das Ilusões", de 1999. Há uma recente versão da BBC, de 2007.

Neste romance, Fanny Price vai morar de favor na casa do tio rico aos 12 anos de idade, onde é criada. Inteligente e estudiosa, torna-se também uma bela mulher, chamando a atenção de seu novo e rico vizinho. Os tios estimulam a união, mas para desgosto deles, ela não está interessada.



"Amor e Inocência" de 2007.

Traz a história de Jane Austen antes da fama, que vive um romance com um jovem advogado irlandês, que acabaria por inspirar seus livros. 

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View Comentários 4 Comentários


Link direto para este comentario Ana Regina
27/09/2013

Oh! Linda tão bom ler o que você escreve.. te amo bjs

Link direto para este comentario Paulo Roberto Cannizzaro -
27/09/2013

Filha, parabéns.
Você é incrível mesmo.
Vejo que consegui transmitir isto para você, gostar de ver as coisas e sobre elas traduzir seu próprio olhar.

Link direto para este comentario Ricardo Veiga
28/09/2013

Parabéns Linda! Ficou ótimo o texto. Estou vendo que esse vai ser apenas o começo de outros tão bons que ainda virão.

Link direto para este comentario Renata Prima
29/09/2013

Clara, adorei. De tanto você me falar, senti vontade de ler os livros e assistir os filmes... Agora com este detalhamento da vida dela e das suas obras só aumentou a minha vontade de conhecer e viver estes romances escritos por ela. Parabéns Clarota

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