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09/11/2013

¨A Partida¨: uma delicada produção japonesa


¨A Partida", melhor filme estrangeiro de 2009.

Os críticos que são mais severos dizem que o filme “A partida”, ganhador de melhor filme estrangeiro de 2009, carrega alguns clichês exagerados de emotividade. Outros dizem que o filme seja vagaroso demais na apresentação do seu enredo. 

De fato, é verdade que o filme até tenha talvez algumas deficiências na nitidez das cores, algumas cenas até parecem embasadas, às vezes mal definidas ou pálidas, porém me parece que a abordagem que faz sobre a morte seja absolutamente perfeita e delicada. Decisivamente,uma das melhores que eu tenha visto.

O filme conta à história de Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki), um ex-violoncelista que possuía um trabalho socialmente de grande prestígio em tocar numa grande orquestra em Tóquio, e que, de repente, é dissolvida por seu dono. Daigo, então precisando de dinheiro, retorna à sua cidade natal, junto com a esposa, no norte do Japão, e lá consegue um emprego diferente que acaba sendo objeto da crítica dos amigos e até da sua própria esposa, que chega abandoná-lo por isto. Ele torna-se um “nokanshi”, uma espécie de mestre na preparação de cadáveres, antes da cerimônia do enterro, cumprindo uma antiga tradição japonesa, de deixar o morto limpo, belo e bem tratado para seu último momento, cumprindo-se todos os processos envolvidos nessa atividade.

Um dado ainda interessante. Identifiquei que no Japão o título do filme é “Okuribito”, que quer dizer Okuri= levar; Bito=pessoa. Assim, “Okurbito” é uma pessoa que leva outra a algum lugar. O personagem Daigo e seu patrão praticam a arte da preparação dos mortos, para levá-los seguramente da passagem da vida para a morte (o outro lugar).

O filme mostra a significação de cada passo desse ritual de despedidas e de preparação, como dando significação “a esse primeiro banho de um novo nascimento, desde a feitura da barba, da maquiagem, a colocação da última vestimenta, do cuidado com a pele que não deve ser mostrada, a fim de preservar a dignidade do falecido.



Cena de "Okuribito"



Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009


Mesmo que este seja o conteúdo do filme, que a princípio pode ser pesado por apresentar a morte como tema central, o preparar-se para o sepultamento e toda a análise que é trazida neste filme oferece uma reflexão de fato muito rica sobre a passagem da vida, mas nada disto é feito de maneira inadequada, ao contrário, o diretor é de uma delicadeza impressionante.

 

Várias cenas, em que se vê a relação de cada família com o seu morto, sendo “preparado” nos últimos momentos dessas cerimônias, são emocionantes, mostrando a verdade do relacionamento entre eles. Assim, o filme apresenta as diversas reações de cada família, e seja com um adeus muito triste, lágrimas, lamentos, afagos ou risos, são momentos de aceitação silenciosa de familiar, expressando cada olhar a um ente querido que esta deixando a vida.

 

Uma direção muito cuidadosa e sensível. Tudo muito delicado. No todo, é um filme de fato muito bem realizado, bons diálogos, trilha musical igualmente bem encaixada no filme. Muito bom trazer de novo à tela um ato cultural japonês, cheio de beleza e poesia. Uma análise sobre a nossa morte, mas também sobre a vida, as mudanças e o passado.

Recomendo. O tema pode parecer árido, mas você vai gostar pela extrema delicadeza do filme. 

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Link direto para este comentario Smithe576
30/08/2015

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